10 abril, 2010

ROCK PROGRESSIVO


Ontem, ia no carro a ouvir o tenor inglês John Potter e, pelo facto de as suas canções neste disco misturarem o clássico com sintetizadores e electrónica, lembrei-me dos velhos tempos em que, garoto, ouvia rock progressivo. E como os pensamentos são como as cerejas, lembrei-me também da recente morte do Malcolm Mclaren, pai dos Sex Pistols e com forte influência no movimento punk.
A dicotomia rock progressivo/punk deu azo a grandes discussões e polémicas. Havia quem achasse que o movimento punk foi uma lufada de ar fresco, voltando a dar energia e alma à música depois de anos mornos e com desvarios sinfónicos que iam matando a música popular.
Ora bem, confesso, sem vergonha perante a humanidade, o seguinte: ainda ouvi Sex Pistols, fartei-me de cantar na rua "Judy is a punk, oh yeah, Judy is a punk, oh, yeah" e abanei freneticamente a cabeça com uma garrafa de cerveja na mão, embalado pela voz da Nina Hagen.
Mas foi o rock progressivo que me influenciou e ao qual devo grande parte da minha sensibilidade musical. Hoje, confesso, não teria qualquer paciência para ouvir os Yes, os Genesis, os King Crimson, os Gentle Giant, os Van der Graf, os Emerson Lake &Palmer. Do mesmo modo que não tenho paciência para ler livros infantis.
Mas devo ao rock progressivo o que devo também aos livros infantis. Isto é, quase tudo.

7 comentários:

JMV disse...

Nem um Led Zeppelinzito? Bem,não era realmente bem "Progressivo",apenas maravilhosamente bruto.

Anónimo disse...

As primeiras impressões são as que ficam.
Somos todos consequência do percurso. Ou numa óptica mais desresponsabilizada, mais moderna: vítimas.

José Ricardo Costa disse...

"Physical Graffiti" é um dos discos da minha vida. Ninguém me pode acusar de sectarismo...
JR

estela disse...

eu era mais rock sinfónico.
e não me lembro de terem matado nada.
mas vai dar tudo ao mesmo!
também devo o que sou e o que não sou àquilo que fui ;)

Reinaldo Amarante disse...

Eu consigo ouvir de tudo um pouco. Depende do momento. Respeito, mas tenho pena dos que dizem que só ouvem música clássica.
Com a minha idade, a minha música vai desde que ela existe até hoje, embora admita que que já não tenho paciência nem tempo para ouvir a interminável batida electrónica ou alguns devaneios de sintetizadores em pretensos solos para-sinfónicos.

Austeriana disse...

Também «berrei» (o verbo cantar, com a minha voz, torna-se eufemismo)as músicas dos Sex Pistols; também "abanei o capacete" com a Nina Hagen e tenho este vinil da imagem: está todo riscado das 587 mil vezes que o ouvi.
Com a história dos CDs e a dificuldade em encontrar agulhas para o gira-discos, enfim, deixei de riscar tanto LP...

helena disse...

Há livros infantis que ainda me encantam.