29 março, 2010

SÉRIE "AI SE EU FOSSE REALIZADOR DE CINEMA"

Bazárov levantou-se.
- Sim, agora é realmente tarde, são horas de se ir deitar.
- Espere - Murmurou Anna Serguéievna.
Os seus olhos detiveram-se em Bazárov; parecia que o examinava atentamente.
Ele caminhou pelo quarto, depois aproximou-se dela de repente, disse apressadamente «adeus», apertou-lhe a mão com tanta força que ela por pouco não gritou, e saiu. Ela levou os dedos colados aos lábios, soprou-lhes e, de súbito, levantando-se impetuosamente da poltrona, caminhou em passos rápidos para a porta, como se desejasse fazer Bazárov voltar... A camareira entrou no quarto com uma garrafa na bandeja de prata. Anna Serguéievna parou, mandou-a sair e sentou-se de novo, ficando outra vez pensativa. A sua trança soltou-se e caiu-lhe nos ombros como uma cobra escura. O candeeiro esteve ainda aceso durante muito tempo no quarto de Anna Serguéievna, e durante muito tempo ela se manteve imóvel, só de vez em quando passando os dedos pelos braços, levemente arrepiados pelo frio da noite.

1 comentário:

José Borges disse...

É um dos meus livros preferidos!