04 março, 2010

NO SUELTES LA SOLDA QUE ME ATA A TU ALMA


Pensei, primeiro, em escrever no título deste post "A última vez que vi Coppola", mas rapidamente mudei para a veemência desta frase escrita a letras negras sobre uma parede branca na cena inicial de Tetro que acabo de ver no Virgínia.
Realmente, a última vez que eu tinha visto Coppola fora nas páginas de uma revista, no famoso anúncio onde ele e a filha descansam entre guiões de filmes e malas Vuitton. Na altura em que fotografias foram tiradas, eu sabia-o em Buenos Aires a filmar Tetro. Pensei que não o conseguiria apanhar tão cedo. Mas acabei de o ver e, se o deslumbramento fosse luz, eu brilharia.
Este filme é um tratado de semiótica. Tem tudo o que Coppola já tinha filmado e tudo o que Coppola ainda não tinha filmado. Tem a cor inesperada dos flash-back por entre o preto e branco do presente. Ele que já filmou o bem e o mal, a guerra, o amor, a morte, a vingança, a traição, a vida e a morte, filma agora a memória. Filma a memória na cidade de Borges, filma-a aos longo dos bairros decadentes de Buenos Aires. Filma a memória e a as falsas memórias, filma o verso e o reverso. Tudo. Do princípio ao fim.
No sueltes la solda que me ata a tu alma. Nunca, a desliguei, Mr. Coppola, por isso acho que mereci este filme. Os coppolianos mereceram este filme. Os outros deviam ser expulsos da sala.

2 comentários:

José Borges disse...

Eu fui ver o filme ao Medeia King e, no que toca ao argumento achei excepcional até ao festival de cinema da Patagónia depois aquilo pareceu-me uma telenovela mexicana. De resto gostei de tudo, e eu gosto imenso de Coppola. Nada bate 'Uma segunda juventude' na sua cinematografia!

Vera disse...

Belo post sobre um belíssimo filme maltratado pela nossa crítica... Os fans incondicionais agradecem :-)
Vera