27 março, 2010

NEM SEI QUE TÍTULO HEI-DE ESCREVER AQUI

As professoras de Espanhol da minha escola organizaram uma visita de estudo a Madrid. Na madrugada de quinta-feira lá partiram, com outros professores e um grande grupo de alunos, um grupo mesmo muito grande de alunos, um grupo excessivamente grande de alunos. Na minha opinião, claro.
Zeus Olímpico há-de tê-los protegido e estarão de regresso hoje.
Ontem, uma directora de turma recebeu a mãe de um aluno pertencente a uma das turmas em viagem. E disse para início de conversa:
- Então e o X? Lá está para Madrid, não é?
Responde mãe, num tom entre o chocado e o escandalizado:
- Nãaao! Ele não foi! Aquilo era muita cultura, muito museu!

Pronto, a senhora não terá um filho culto nem, ao que parece, quer ter. Mas pode está certa de que o Reino dos Céus, esse já o ganhou. Toda a gente sabe que está guardado para os pobres de espírito.

8 comentários:

Rita TSBGC disse...

Senhora sensata. Senhora muito sensata, dona de um espírito crítico à frente do seu tempo.
A cultura é sempre em demasia.
Tomemos o exemplo da agriCULTURA, a produção excessiva implica pesadas coimas e até restrições futuras!
Assim sim, com Mães destas que nem precisam ser de Bragança, teremos uma juventude capaz para enfrentar os desafios da modernidade.
Talentosos chico-espertos, habilidosos corruptores, arrivistas audazes, estaremos a salvo.
A Cultura deveria mesmo ser proibida, deveriam mesmo ser forçados a colocar em cada bilhete de entrada num museu, num teatro, ou em qualquer outro antro cultural, imagens chocante s de fruidores ou fazedores de cultura.
Arrumadores de carro andrajosos com os dizeres: A cultura tem efeitos nefastos na sua vida , escolha um centro comercial evite a decadência !!!

Margarida disse...

É assombrosa a capacidade de cegueira e alienação de que as pessoas, os pais, são capazes...
Lamuriam sobre os fedelhos malcriados que têm em casa, sem perceber que 'a culpa' é essencialmente deles próprios. Como é possível!?
As lamentáveis cenas a que sou forçada a assistir todos os dias - nos transportes, na rua, nos restaurantes, no cinema, nos espaços públicos, no trabalho, até - deixam-me... devastada.
Que cultura, que civilização, que futuro se desenha hoje?
Antigamente era tudo genericamente ignorante, mas na humildade que isso e o medo acartavam havia um brilho de percepção que o mundo tinha mais e que, não podendo ser para eles, tudo fariam para que fosse para os filhos.
Agora nada disso parece assim.
Agora tudo é devido, nada devolvido.
Agora é só esperar, reclamar, desejar, esperar.Dar, contribuir, lutar, é o mínimo.
A começar pela educação que não se faculta em casa.
Os rebentos nascem a mandar no mundo à sua volta e como são naturalmente caprichosos e essencialmente ignorantes, dá no que dá.
E os progenitores ainda rejubilam nessa boçalidade compartilhada.
Um caos.
Um desgosto.
Uma imensa náusea.

Reinaldo Amarante disse...

Nem mais Rita.
Se me permite, subscrevo totalmente o comentário

jrd disse...

A mãe não terá um filho culto, mas, em compensação, o filho tem um mãe estúpida.

ruimnm disse...

Teatro, Museus? E depois como é que saberia o final da telenovela?
Vem, filho, senta ao pé da mãe, que vai começar.
Não estás triste por não ir a Espanha, pois não?
Sabes, isso de museus é muito chato e não percebo nada do que lá está, para te dizer a verdade nunca fui a nenhum. Os meus pais também nunca me levaram e nunca senti a falta, ia agora encher a cabeça com trenguiçes...
Olha, afinal, o artistinha não morre!

Alice N. disse...

Realmente, é difícil atribuir um título... Pelo menos, a senhora podia ter ficado calada, mas talvez ainda tenha achado graça ao que disse, se imagino bem o género. Triste.
Há pais e alunos que não merecem essa fantástica entrega por parte dos professores e o que a escola ainda tenta proporcionar-lhes à custa de muito trabalho, entrega e sacrifício pessoais (para não falar da imensa responsabilidade assumida). Preferem receber magalhães e afins. Uma tristeza.

Anónimo disse...

Ai o que eu me ri.

Helena

Margarida Fernandes disse...

Infelizmente há muitas mães e muitos pais a pensar assim...

Mas, apesar da pobreza de espírito relatada neste "post", fartei-me de rir.
Parece mesmo anedota.

Boa Pascoa