18 março, 2010

DOS CONSERVADORES


Lucas Cranach, Sansão e Dalila

Ontem, numa aula, não havia um aluno que tivesse alguma vez ouvido falar em Sansão e Dalila. Fiquei perplexo. Apesar de nunca ter frequentado a catequese, passei a instrução primária a ouvir histórias bíblicas contadas pela minha catolicíssima professora. Mas isso era num tempo em que as professoras primárias sabiam mais de histórias bíblicas do que de teorias pedagógicas, psicológicas e psicossociais, engolidas à pressa numa qualquer escola superior de educação.
Aos 20 anos teria sido capaz de achar piada à ideia de uma orgia romana à luz de archotes feitos com folhas da Bíblia a arder. Hoje, confesso, imagino-me mais facilmente a dar aulas de catequese no salão paroquial cá da terra.

3 comentários:

Ana Paula Sena disse...

Bem visto, Ricardo.

Aliás, o que perdem todos os que não sabem da história de Sansão e Dalila é imenso, já que é uma história magnífica.

Por sorte, as minhas filhas souberam dela por mim própria. Os grandes clássicos do cinema, que também já pouco se vêem, poderiam dar um precioso contributo para combater a ignorância de um modo apelativo.

Gostei muito do quadro de Cranach. Obrigada :)

Margarida disse...

Viver hoje magoa.
Fere mais, de uma certa maneira, do que quando havia, algures, uma guerra que provocava gritos na noite às viúvas desamparadas.
Lembro-me desses gritos, que amarfanhava no cobertor enquanto dizia pai-nosso-que-estais-no-cúe-abençoado-seja...'
A minha mãe na cozinha e o meu pai na sala fingiam não ouvir (que podiam fazer?) e não me enviavam para a catequese mas para uma casinha velha onde aprendia tudo numa 'mestra' que me acomodava o lazer.
Onde, o respeito, a humildade, o encanto pela descoberta?
Onde o amor pelos outros?
Onde o auto-conhecimento devagarinho, em silêncio ou desenhado com o dedo num vidro embaciado?
Onde a vida que se desejava feliz?
Onde a vida, simplesmente?
Como, a coragem?

helena disse...

Isso entristece-me muito.