13 março, 2010

DO CHOUPAL ATÉ À LAPA

No Público de hoje, Jorge Cravo queixa-se da pouca divulgação dada ao, habitualmente, chamado fado de Coimbra.
Vejamos, quando os turistas começaram a ir a New Orleans para assistir aos funerais acompanhados por jazz, os funerais acompanhados por jazz em New Orleans deixaram de ser funerais acompanhados por jazz em New Orleans para passarem a ser meras exibições para turista ver. É sempre nisso que penso, é sempre isso que me faz rir quando vejo um cartaz a anunciar uma sessão de fados de Coimbra num sítio qualquer.
Jorge Cravo diz que a canção de Coimbra exige um ritual cénico. Exige muito mais do que isso. O fado de Coimbra é uma voz masculina na noite de Coimbra. E daqui não arredo uma vírgula. O fado de Coimbra é, de repente, às quatro da manhã num canto qualquer. O fado de Coimbra era na tasca do Raul, depois de uma tosta de galinha, quando um desgraçado, que no dia seguinte ia ser trucidado por Orlando de Carvalho na oral de Reais, levantava a voz: "Passarinho da ribeira/se não queres ser meu inimigo.../. O fado de Coimbra era numa república, quando um moço das Engenharias que, nessa tarde, chumbara pela quarta vez numas Estruturas quaisquer, cantava: ... "e dos amores que eu lá tive..."
O fado de Coimbra é lá em Coimbra. Ou se sente ou não se sente. Quem não sente, que se cale. Depois do cantor terminar, faz-se silêncio.
Disse.

2 comentários:

Anónimo disse...

Experiências a serem vividas.
Contadas, não fazem sentido.

Anónimo disse...

É isso tudo. Só quem estudou em Coimbra e viveu Coimbra, sente e entende o fado de Coimbra. Os outros ouvem-no, gostam ou não, percebem-no mais ou menos racionalmente. Mas a sua alma está em quem o viveu.
Silêênncioooo.
JB