15 fevereiro, 2010

RUÍNAS

Eu amei um dia
uma casa antiga
como se ama um homem alheio,
entre as pregas da culpa
na volúpia do segredo.

Amei o recorte Arte Nova
nas bandeiras das portas,
a voluta de um corrimão sedoso,
o damasco vermelho de uma sala, lá no fundo,
amei o pressentimento
das janelas quando abertas,
vi dançar o arabesco da luz
no longo soalho brunido.

Eu amei um dia
uma casa antiga.

E esqueci-a,
como se esquece um homem,
feito salitre e ruína o desejo,
de si mesmo admirado
de ter querido tanto.

1 comentário:

hg disse...

Ivone, são muito tocantes as suas palavras. Gosto muito.