22 fevereiro, 2010

"- Ó FORTES COMPANHEIROS.../...A QUEM NENHUM SE IGUALA ,/ DEFENDEI VOSSAS TERRAS, QUE A ESPERANÇA / DA LIBERDADE ESTÁ NA VOSSA LANÇA." (1)

O José Cipriano Catarino, meu colega, tendo ponderado entregar hoje o seu pedido de aposentação, não o fez. Num texto muito dolorido (eu conheço-o bem) afirma: "Nem preciso de inventar desculpas, penalizações e quejandos. É só cobardia."
Deixou-me feliz por saber que vou continuar a vê-lo na escola, deixou-me triste por sabê-lo amargurado.
Mas deixa, Zé, que te conte uma história de cobardia, de pura cobardia, daquela que mete o rabinho entre as pernas e se encolhe toda. Recentemente, numa escola do distrito, foi eleito para presidente do Conselho Geral um encarregado de educação. Os professores conselheiros aceitaram serenamente tal facto quando, a meu ver, a reacção natural dos mesmos seria a de repúdio e de imediata demissão em bloco. Isso, Zé, é cobardia.
Eu detesto, juro que detesto, estas minhas atitudes de Cassandra mas, momentos há, em que as não consigo evitar. Deixaram entrar os encarregados de educação na Escola e, um dia, hão-de descobrir que já é tarde e que não vão conseguir arrancá-los de lá.
(1) Camões, Os Lusíadas, 4.37

1 comentário:

disse...

Muito obrigado, Ivone. Quanto aos EE nas escolas, sabes que eu defendo que têm lá lugar -- o seu lugar, que jamais deveria ser na presidência do Conselho Geral ou em órgãos como o Conselho Pedagógico.
Como li num post teu há tempos, é marca de civismo cada qual saber pôr-se no seu lugar, que é naturalmente relativo. Por exemplo, eu, ao falar com a minha orientadora, senhora da minha idade, que conheço aí há uns 15 anos, sempre me coloco humildemente na posição de aluno, tal como faço nos treinos de karaté, independentemente do excelente relacionamento pessoal que tenho com o meu sensei, que conheço há 30 anos.
É atitude semelhante que falta a alguns EE, os quais, quando encontram poleiro, logo puxam dos galões que dizem possuir ("Eu sou professor na Universidade...") e doutoralmente têm a pretensão, por demais ridícula, de ensinar a missa ao padre, eles e elas que não educam em casa os seus rebentos...