24 fevereiro, 2010

JOHN STUART MILL - SOBRE A LIBERDADE


O mais grave disto não é o absurdo da campanha. Já estou habituado, entre o acordar e o adormecer, a assisir a muitas coisas absurdas, disparatadas, ridículas. O que é deveras preocupante é a vergonhosa moralização da vida privada.
Ok, fumar faz mal à saúde, provoca mau hálito, tudo isso. Mas não é um acto moral nem imoral. Será um acto moral se o fumador prejudicar terceiros com o seu fumo. Mas fumar, em si mesmo, é tão moral como apanhar banhos de sol ao meio-dia, deitar muito sal na comida, ver 5 telenovelas por dia ou admirar José Sócrates.
Agora, comparar o vício de um fumador com uma espécie de escravatura sexual só me faz lembrar as ameaças despóticas de um deus bíblico face aos desvarios e fraquezas do seu rebanho. Só que no lugar de um deus rabugento e ameaçador temos o Estado moderno e civilizado.

É triste, mesmo muito triste, tantos anos depois de Stuart Mill ter escrito On Liberty, sermos obrigados a fazer de novo as suas perguntas: "Qual é, então, o limite correcto para a soberania do indivíduo sobre si mesmo? Onde começa a autoridade da sociedade?Quanto da vida humana deve ser atribuído à individualidade, e quanto à sociedade?" (capítulo IV)
Tirado daqui

1 comentário:

jrd disse...

Smoking/no smoking.