04 fevereiro, 2010

JOHN STUART MILL- SOBRE A LIBERDADE

Os livros de auto-ajuda e afins vieram tornar as livrarias numa espécie de elegantes lixeiras. Acontece que acabei de ler o capítulo III de um livro que vale mais do que dez quilos de livros de auto-ajuda. Estou a falar de "Sobre a Liberdade" do filósofo inglês John Stuart Mill, escrito em 1859, sendo o título do capítulo" Sobre a individualidade como um dos elementos do bem-estar".
Ao longo dos próximos dias irei aqui trazer algumas passagens do texto. Antes disso, porém, gostaria de lançar algumas ideias-chave exploradas por Mill:
- A imperfeição humana é um bem.
- A espontaneidade individual é um bem.
- O costume social não se deve sobrepor à liberdade individual.
- Os seres humanos não devem agir segundo modelos prévios.
- Tudo o que esmague a individualidade é despotismo.
- A originalidade é preferível ao "espírito de rebanho".
- As pessoas devem assumir os seus gostos e preferências sem quaisquer sentimentos de culpa.
- A sociedade deve incentivar e proteger a existência de uma aristocracia intelectual a fim de manter o equilíbrio e a sanidade mental.
Uma pessoa que acabe de ler este capítulo, ainda que não o faça de um ponto de vista filosófico mas apenas superficialmente, encontra nele, com toda a certeza, um enorme alento para viver sem culpa e sem mácula a sua liberdade. As minhas desculpas aos psiquiatras que, compreendo, têm que ganhar a vida mas os 16 euros do livro sempre ficam mais em conta.

6 comentários:

jrd disse...

Ora aqui está uma espécie de faça você mesmo, que seria capaz de me convencer, se eu percebesse alguma coisa de filosofia.

marteodora disse...

Hoje, que me sinto especialmente "em baixo", desmotivada e a precisar desesperadamente de "laurear a pevide" (que é como quem diz "de desaparecer" - uma forma óptima de auto-ajuda) gostei, de modo muito particular, dos seguintes pontos:
- A originalidade é preferível ao "espírito de rebanho;
- As pessoas devem assumir os seus gostos e preferências sem quaisquer sentimentos de culpa.

Com efeito, estas minhas preferências podem explicar, sem grande margem para dúvidas, a razão pela qual sou, muitas vezes, olhada de lado. Porém, prefiro ser a ovelha ranhosa (sem gripe) do que fazer parte de um rebanho que carece, e muito, do lado crítico do espírito, se não, por vezes, da presença do mesmo.
Et voilá.

addiragram disse...

Um belíssimo estímulo! Se a liberdade interior se alcançasse com através desta obra,era tudo, tão mais simples...:))

Margaridaa disse...

Os pontos que aqui foram transcritos parecem-me tão lógicos e tão evidentes ...é como proclamar que o céu é azul, como se fosse uma grande descoberta. Mas será que não se vê logo que o céu é azul?

José Ricardo Costa disse...

Cara Margaridaa, não é assim tão lógico e evidente. Algumas das discussões da filosofia política contemporânea, mas que são de sempre,passam por estes pontos.

JR

Ega disse...

Ainda que contrarie todo o espírito desta obra, diria que a sua leitura, nos dias que correm, deveria ser obrigatória para todo e qualquer cidadão(como se de um imposto se tratasse).