27 fevereiro, 2010

JACQUES TATI, O MEU TIO - IV


Estive ontem a ouvir na Antena 2 uma agradabilíssima entrevista com a nonagenária Madalena Sá e Costa, violoncelista, discípula de Guilhermina Suggia. Lá pelo meio contou uma história deliciosa. Há muitos anos, o mítico Wilhelm Kempf veio dar um concerto ao Porto. Entretanto, a meio de uma peça, faltou a luz. Parou de tocar? Não, continuou a tocar às escuras. Certamente mandado por alguém, um funcionário do Palácio de Cristal entrou no palco a correr, começando a acender fósforos uns atrás dos outros enquanto o pianista tocava, certamente de um modo magistral. No fim do concerto, o pianista viria a revelar que, enquanto tocava, a sua grande preocupação era que o pobre funcionário pudesse queimar os dedos.
Um mundo onde nunca faltasse a luz, seria, certamente, bem mais eficaz e previsível. Mas também num mundo assim jamais seria possível ver um pianista como Wilhelm Kempf tocar iluminado pelos fósforos que um pobre funcionário vai corajososamente acendendo a seu lado.

2 comentários:

Né Ladeiras aka Maria de Nazaré disse...

Amei a estória :)

addiragram disse...

Também ouvi a deliciosa entrevista! E a descoberta do Pablo Casales?
O Meu Tio como pano de fundo ilumina-nos também o caminho.