12 fevereiro, 2010

A ESCOLA SOCIALISTA


Aconteceu no hospital. Vou à procura de uma enfermeira para saber como poderia falar com o médico responsável por uma familiar. Encontro a enfermeira. Tinha sido minha aluna. Dá-me a informação. Entro no gabinete e vou dar com uma médica que tinha sido minha aluna. Quando, finalmente saio, vou dar com uma auxiliar empurrrando uma maca e que também tinha sido minha aluna.
A escola pública, através de ardilosos métodos de avaliação e espúrias teorias pedagógicas, bem tenta iludir as diferenças entre os alunos dentro da sala de aula ou sentados na mesma carteira. Depois de ter falhado politicamente, tenta-se aplicar o socialismo pedagogicamente. Um puro disparate. Desde cedo que as crianças deveriam perceber que as pessoas não são todas iguais e que, se algumas podem ser mais iguais do que outras, terão que trabalhar para isso e merecê-lo.

10 comentários:

JMV disse...

Com "sorte" ainda irá encontrar daqui a uns anos como directora clínica alguém que se lembra de ter visto de passagem num fim de tarde a dirigir-se para o CNO...

o seu blog chama as coisas pelos nomes.
um abraço

jrd disse...

Bem!... Seria complicado se todos fossem médicos, incluindo os pacientes e os visitantes, para não falar nos arrumadores do parque de estacionamento do hospital.

José Ricardo Costa disse...

Caro jrd, obviamente. O que eu apenas quis dizer é que na escola actual, de rastos e quase acabada de arrasar pelos socialistas, os nossos jovens andam a ser enganados e mal preparados e que a realidade, mais cedo ou mais tarde, irá entrar de repente nas suas vidas. Eu já tive alunos que chegados ao 10ºano me diziam desejar ir para Medicina e cursos do género até porque as notas obtidas até ao 9ºano lhes permitiam tais veleidades. Ao fim de poucos meses andavam a lutar pela simples sobrevivência escolar. E, acredite, são os mais pobres e desfavorecidos que mais razões terão de queixa do engenheiro e desta pandilha socialista que tem desgovernado o país.

Abraço para si e também para o meu caro JMV.
JR

Alice N. disse...

Completamente de acordo. Não há, aliás, maior desigualdade e injustiça do que fingir e fazer crer que somos todos iguais. Pior ainda é educar e instruir no facilitismo, na ilusão de que tudo é facilmente alcançável, numa total desvalorização do conhecimento e do esforço. É isso que há muito acontece nas escolas e se agravou de forma absolutamente criminosa no tenebroso reinado de MLR, em especial no ensino básico onde se vivem inacreditáveis aberrações como alunos passarem com seis e sete negativas. Como é hábito dizer-se, assim não vamos lá.

jrd disse...

JR,
Agora sem sarcasmo. Concordo com o que diz, apenas não aceito, por ser redutora, a expressão "escola socialista". Ainda se dissesse escola "socialista(?)".
Bom fim de semana
Abraço
jrd

Miguel e Rita Clara disse...

Apesar de ser apenas uma dona de casa,cuido de vários espíritos estudantes e guardo vários episódios, ilustrativos da tal Escola socialista.
Há quase 5 anos o meu filho maior contava-me que na escola, os alunos dos subsídios comiam umas bolachas próprias no bar, ainda convencida da bondade do sistema inclusivo, pensei que as ditas bolachas seriam algum tipo de barras altamente calóricas ( daquelas que se leva nas viagens) com o objectivo de suprir as necessidades das ditas crianças.
O meu filho, que há muito me acha demasiado ingénua para a idade e pra a estrada, decidiu trazer-me um pacote das bem ditas bolachas : ERAM AS MAIS BARATAS E SENSABORONAS DO MERCADO...
Enquanto a inclusão for esta treta ninguém sairá beneficiado.
O mérito e o esforço merecem mais que as piores bolachas, a preguiça e o desprezo merecem mais do que a indiferença.
Talvez recomendasse Tolstoi...
Ou Jean Genet...
Boa Noite.

AnaT disse...

Num mundo perfeito, à parte deste Socialismo completamente ultrapassado, todos deviamos nascer com os mesmos direitos e com todas as opçoes de carreira à nossa frente...depois cada um faz o que quer com a sua vida..Mas nao...é isto. Portugal a premiar a mediocrecidade..

Nuno Gomes disse...

Hum.., então dever-se-ía separar logo à partida, por exemplo no sexto ou nono ano, quem tem unhas para uma coisa e quem tem unhas para outra coisa?

Se assim fosse acrescento: porque não definir vagas para os diferentes cursos após sexto ou nono baseadas em critérios como por exemplo taxa de emprego/desemprego em determinada área?

Seria uma solução? Como fazer entender isso aos eleitores? Como fazer entender isso a alguns professores de ciências humanas e sociais (talvez das áreas com mais desemprego) que ficariam..., hum,... onde?

No ensino superior é exactamente o mesmo problema:

"Ah e tal.., vou fazer o doutoramento em psicosociologia do feijão-verde nas horas vagas.., depois espero para arranjar um tacho num lado qualquer..." E então: mais malta que sai do secundário para começar cursos onde leccionam os recém doutorados e onde se aprende..., o quê?

E como explicar isso ao recente, (15 anos de socialismo) subtil, mas bem instiuído "mercado educativo"?

Soluções professor Ricardo! A malta quer soluções! Eu não tenho nenhuma... Só perguntas... ;)

Abraço!

José Ricardo Costa disse...

Caríssimo Nuno, começaste por dar algumas soluções. Um ensino secundário muito mais exigente e apenas para quem tivesse condições para o cumprir. Mas também um ensino verdadeiramente profissional e competente, o que não acontece actualmente. E isto, claro, sem pôr em causa a permeabilidade. Ninguém deve ficar excluído à partida. E haver incentivos profissionais para quem trabalha mais e melhor na escola. Por exemplo, em tudo o que fosse condições de acesso a trabalhos não qualificados no Estado (sem licenciatura), a média do secundário deveria contar. As pessoas são todas iguais. Mas no que toca a privilégios dever-se-ia começar a perceber desde muito cedo que há que ser digno de os ter. E não é isso que acontece actualmente.

Abraço e vai aparecendo, é sempre bom ver antigos alunos a mexer!

JR

AnaT disse...

"Mas no que toca a privilégios dever-se-ia começar a perceber desde muito cedo que há que ser digno de os ter. E não é isso que acontece actualmente."

Perfeitamente de acordo!!!