06 fevereiro, 2010

DECLARAÇÃO

Eu não ficaria descansada com a minha consciência se, após o post anterior, não fizesse a seguinte declaração de princípios.
Os meus alunos podem escrever-me mails se quiserem. Respondo sempre. Podem pedir-me para lhes tirar dúvidas fora da aula, no meu tempo livre. Estou sempre disponível para eles. Todos o sabem.
Nunca estou disponível para os pais deles. Passo a explicar: caso seja directora de turma, recebo o pai do aluno ( agora acho que se chama encarregado de educação) na hora a que a lei me obriga a fazê-lo. Não respondo a mails de encarregados de educação. Em circunstância alguma, darei o número do meu telemóvel a um encarregado de educação.
Obviamente, numa situação de extraordinária excepcionalidade, poderei pensar em ceder ligeiramente.
Para mim, a Escola é um espaço dirigido por um director eficaz e abnegado, onde os professores ensinam e os alunos aprendem e onde um bem organizado conjunto de funcionários faz com que tudo deslize sobre rodas, desde as questões administrativas às questões logísticas.
Os pais não fazem parte da escola onde os filhos estudam, os pais governam a casa onde os alunos moram.
O conceito de comunidade educativa repugna-me ad nauseam.

7 comentários:

Eli disse...

A isto chama-se um esclarecimento exacto.

:)

Margaridaa disse...

Não posso passar por este "post" de forma indiferente.
Tive a experiência de um filho que já está no Superior, (e portanto, os encarregados de educação já não o são), e estou a ter a experiência de ser encarregada de educação da filha que está (não sei se em Portugal ainda se chama assim)no primeiro ano da Preparatória. Sempre tive uma boa experiência escola/casa.
Como não tenho gente chegada que leccione no liceu, (tenho educadoras de infância, o que não é a mesma coisa, e proF universitários,o que também também não é :D ), gostava de perceber o porquê dessa divisão tão rígida. Só para perceber.

Ivone Costa disse...

Cara Margaridaa, eu também já fui encarregada de educação de um aluno que está no superior. Quando ele era aluno do liceu, (não no liceu onde eu era professora, outra posição da qual nunca arredei pé) encontrei-me algumas vezes com a directora de turma, na hora para isso agendada, para me inteirar dos disparates que o moço fizesse e dos seus progressos ou retrocessos académicos. Durante esses encontros, sempre fiz questão de tratar a minha colega por SrªDrª para deixar bem claro que, ali, estava a mãe do aluno, não estava a colega.

Em meu entender, os pais devem fazer o seu trabalho em casa, os professores devem fazer o seu trabalho na escola.
Não aproveita a ninguém a existência de reuniões em que pais e professores tomam decisões em conjunto sobre projectos de actividades, estratégias disto e de aquilo. Não faz sentido. Eu sinto-me sempre constrangida nessas reuniões: é como ter um estranho em casa. Já para não falar dos telefonemas para o telemóvel do director de turma, a desoras, pura falta de educação e de respeito.

Espero que a Margaridaa nunca tenha tido um familiar doente mas, se o teve, foi convocada por algum médico para reuniões frequentes cuja agenda fosse a estratégia a seguir no tratamento do doente? Não foi, pois não? Sabe porquê? Porque quem sabe do hospital é o médico, quem sabe da escola é o professor.

Considero ainda que, ao ir para a escola, o aluno não a pode sentir como o prolongamento da casa. A ida para a escola deve ser um corte necessário, uma dor de crescimento.

Siga este link de Jorge Carreia Maia: http://averomundo-jcm.blogspot.com/search/label/Educa%C3%A7%C3%A3o

Eu ouvi esta conferência e, acredite, foi brilhante.

Só mais um esclarecimento: a rigidez da minha posição é idiossincrática. Eu não tenho uma natureza de meias tintas, quando tomo posição sobre um determinado assunto, sou veemente e assino por baixo.

Por fim, só um pormenorzito. Eu nunca tive qualquer problema com um encarregado de educação. Sabem que não aprecio a excessiva presença deles na escola mas sabem que gosto muito dos filhos deles e quem os nossos filhos ama a nossa boca adoça.

Ivone

Margaridaa disse...

Obrigada, Ivone, por ter "aprofundado" o assunto. Eu teria mais coisas para dizer, assim como a Ivone, mas... o que é que ia adiantar?

Faz parte de cada um ter a sua opinião, e isso é bem saudável.

disse...

Olá. Eu tenho algumas boas experiências de envolvimento dos EE na resolução de problemas com turmas difíceis. Afinal, queremos ambos (profs e EE) o mesmo, não? Portanto toda a ajuda é bem-vinda.
Não significa isto que aceite o seu envolvimento em matérias como a componente científica, a avaliação, etc. Mas nunca o pretenderam fazer. Pelo menos comigo.

Margarida Graça disse...

Pela 1ª vez comento um post seu apenas para:

- Parabéns, caríssima Ivone!

Em momentos bem mais precários na educação, como os tempos em que fui aluna, os pais confiaram os filhos aos professores. Nessa altura, a grande vantagem residia no facto de existir respeito pela figura do professor.

Ivone Costa disse...

Margarida Graça, seja bem vinda aos meus posts.

Meu caro Zé, eu também penso que o envolvimento não se estenderá à componente científica. Pelo menos no nosso tempo.Mas não poria as mãos no fogo.

Ivone