18 fevereiro, 2010

A ARTE DE PROFANAR A PINTURA


Johannes Vermeer, A Arte da Pintura

Hermann Goëring, que estava desesperado para ter um Vermeer na sua colecção, ofereceu dois milhões de marcos por este quadro. Mas foi Hitler que, usando a prerrogativa que lhe permitia adquirir antes dos outros, acabou por comprá-lo por 1,65 milhões de marcos. Ou seja, este quadro esteve nas mãos de Goëring e nas mãos de Hitler. Não é difícil imaginar a expressão e o olhar destes homens, olhando para o quadro que possuiam nas mãos.O nojo que sinto ao pensar em dois homens como Goëring e Hitler a cobiçar este quadro é o mesmo que sinto ao imaginar dois pedófilos a olhar para uma inocente criança.

5 comentários:

Anónimo disse...

Apesar de Hitler ter sido quem foi, (ele ou outro qualquer) não quer dizer que não seja tocado pelo fascínio das artes.
Aliás, diz-se que Hitler era um pintor bastante razoável, não tendo sido aceite numa escola de artes Austríaca.
Será a falta dos "milhões de marcos" a causa deste post? Se sim, já somos muitos...

Emília Ferreira disse...

Acho que é uma excelente comparação.

jrd disse...

Vermeer ou a afirmação máxima do rigor na tela. Hitler e Goering a expressão maxima do horror na terra.

Miguel Gil Silva disse...

Será devido ao facto de o acto "liberdade de expressão" estar a ser tão badalado, abordado e mesmo contestado que, até para se deixar um comentário a um post, se tem de recorrer a essa máscara de "Anónimo". Duvido que os "nossos" regentes venham dar o ar de sua graça pelos blogs deste e de muitos internautas. Não tenha medo da sua opinião, alias, é mesmo das opiniões que se faz a Liberdade.
Em relação ao post: a relação é bem oportuna, os "objectos" da cobiça são sempre os que menos podem argumentar em relação ao seu destino.

JMV disse...

Hitler tentou entrar em Belas Artes. É um facto que, digamos assim, o próprio não se importaria de fazer desaparecer da sua vida. Sobretudo porque não conseguiu.
Percebo o nojo que sente. Mas no horror geral é quase um caso de psicanálise o seu (dele) olhar parado e fixo sobre certas pinturas, o desejo de possui-las. A impotência talvez seja um dos maiores desencadeadores desejos de Guerra. Quem não a tem talvez não tenha tanto tempo para isso.
Já tenho algum pudor em expressar como gosto do que escreve…os temas que escolhe, o prazer da surpresa do que vem a seguir…
Mesmo assim acho que é importante dizê-lo. Também, passado o embaraço, o que é que ganhava em não o ter dito?
Um abraço