16 fevereiro, 2010

ADENDA AO POST ANTERIOR OU A ALMA DOS FÚTEIS

São diferentes as pessoas, graças aos deuses! Lá muito para trás, o Zé Ricardo escreveu num post: “Nesta casa mora uma monárquica que só come manteiga Président e um republicano que adora bolo-rei”. É óbvio que a felicidade nos torna imunes à meteorologia e a muitas outras coisas.
Como já referiram os nossos estimados comentadores, para Macha a questão não é uma situação geográfica mas um estado de alma. Moscovo torna-se para ela uma sensação para sempre perdida e a consciência disso, arriscaria eu.
Eu prefiro o Inverno. Não adoro estar a tiritar de frio, mas é-me insuportável a sensação de muito calor.
Vou fazer uma frontal e despudorada confissão: a minha relação com a temperatura atmosférica é uma questão de roupa. É a verdade nua e crua: para mim, pensar no Inverno, Primavera, Verão ou Outono é pensar em casacos, vestidos e sapatos.
E por que razão prefiro o Inverno? Porque adoro a textura dos tecidos quentes, as écharpes pesadas, os sapatos fechados, as peles, os cardigans quentes e leves, os chapéus. Eu tenho muitos casacos de Inverno que guardo há 20 anos, só pelo prazer de continuar a vestir aquele belo tecido.
E luvas? Oh, deuses imortais, luvas! Já foram os meus amigos à Luvaria Ulisses, na rua do Carmo, onde o empregado nos coloca o cotovelo sobre uma almofadinha de veludo, olha para a nossa mão e nos traz, precisamente, a luva que nós queríamos?
E o Verão? Os vestidos, por mais bonitos que sejam, nunca terão a dignidade de um casaco. E há lá sandália que chegue aos calcanhares de um sapato?
Quando chega a Primavera e toda a gente fica feliz com aquele tempo de meias tintas, eu só consigo pensar: "Mas o que é que eu vou vestir hoje?"
Eu sou muito fútil, tenho pena, acreditem, tenho pena. Sou profundamente fútil.
Especialmente para a marteodora: então a menina com essa silhueta de sílfide não havia de preferir o Verão, a fluidez dos vestidos leves e a praia, coisa que eu abomino. E fica aqui prometido na frente de testemunhas: eu acho que, quando alguém nos dá alguma coisa, devemos retribuir. Pois como já nos deu, da sua janela, muitas e belas fotografias, eu vou dar-lhe um chapéu para andar à chuva. Forrado por dentro, impermeável por fora, coloca-o na cabecita, protege a sua cabeleira e tira fotografias à vontade. Depois me dirá se há coisa mais bonita do que andar a fotografar à chuva, com o seu PR à espera dentro do carro aquecido.

4 comentários:

jrd disse...

Alma dos fúteis?...
Não concordo. Já há muita gente que apenas discute a toilette dos nus...

marteodora disse...

Ivone,
muito obrigada.
Agradeço que me queira oferecer um chapéu, até porque - e aqui fica também uma confissão - este cabelo esticado deve-se, sobretudo, a técnicas de brushing e placas de cerâmica para alisar. Na realidade é todo ondulado - uma das razões para que fujo da humidade a sete pés. :)
Porém, minha cara amiga, embora goste de fazer fotografias com este tempo, isso requer, de facto, chapéu. Não de cabeça, mas de chuva! As máquinas são sensíveis e as belas fotos não ficam tão belas se as objectivas ou o sensor ficarem manchados de gotas e humidade.
Com efeito (e agora vem o cerne da questão)isto seria tudo muito mais fácil (chapéu de cabeça, chapéu-de-chuva, cabelo frisado, etc.) caso não nos fizessemos acompanhar de uma criança de cinco anos, quando vamos para fora.
Fossemos somente eu e o meu PR (e ele sim, é homem que gosta muito de chapéus) não haveria chuva que nos detivesse.
Ainda assim,com o bom gosto que tem, venha de lá esse chapéu...far-me-á, com certeza, um jeitão; sobretudo por causa deste cabelo difícil. ;)
Obrigada.

AnaT disse...

Felizmente ha no mundo pessoas "futeis" como a Ivone, como nos! =)

Para breve envio o meu novo blog mais que futil sobre todo o tipo de futilidades que nos adoramos e que nao podemos viver sem elas!
Ha tanta beleza num romance ou poema como nuns scarpins Louboutin. =)

beijinhos!

Ivone Costa disse...

Ana, minha querida Ana! Essa referência aos scarpins Louboutin deixa a minha alma logo a pairar.

Ivone