16 janeiro, 2010

VÉSPERAS

O Inverno
dá-se ares de grande senhor
com este séquito de chuvas caprichosas.

Enchem de murmúrios liquefeitos
o pequeno jardim,
gotejam das árvores pacientes
como longos brincos de minas novas
em orelhas antigas.

Cá dentro, corro o cortinado
sobre o olhar de voyeuse
que a torre sineira lança
sobre a cama onde te espero.

2 comentários:

Reinaldo Amarante disse...

Para não voltares a chamar-me megalómano, apenas digo que, nos tempos que correm, faz bem à alma (que chavão mais "fatela", como diriam os nossos alunos...)ler o que escreves. Então a última quadra... nem a Florbela, que já disseste não gostar muito ou a Soror Mariana nos seus êxtases.

jrd disse...

Excelente.
As torres sineiras são sempre 'incómodas'.