09 janeiro, 2010

TEMPUS FUGIT

Cada instante
é um vinho raro.
Por isso o decanto
no cristal cinzelado,
guardo-o dos caprichos dos deuses
e do súbito estremecer dos acasos.
Hei-de vertê-lo nas taças perecíveis dos dias
e, ao bebê-lo junto à janela grande,
olharemos a cidade
a fundir-se com as sombras
como morrem os impérios,
transmutada em cinza
a falsa perenidade da púrpura.

2 comentários:

jrd disse...

Poema-poente. Lindissímo!

Alice N. disse...

Instantes que têm a dimensão da Eternidade...