17 janeiro, 2010

MUNDO DE PAPEL


No Público de hoje, achei especialmente interessante este artigo sobre os critérios científicos que permitem prever o número de vítimas de uma catástrofe. No caso do Haiti, com tais critérios, já se falou em 100 000 mortos, 200 000, 500 000, 50 000.
Isto leva-me a pensar que a ciência, sendo, na minha opinião, o caminho mais correcto para responder a questões e problemas desta natureza, não pode ser entendida como o foram as tábuas por Moisés no Monte Sinai. Atenção, eu não sou daqueles que consideram a ciência uma espécie de literatura conceptual e que colocam no mesmo nível um prémio Nobel da física e um curandeiro da Nigéria.
Quero apenas dizer que a ciência jamais deve servir de pretexto para, seja em questões de pormenor, seja em grandes questões, impor padrões e respostas infalíveis como se fossem dogmas graças aos quais uma classe de especialistas iluminados possa obter poder sobre os pobres de espírito que não dominam esse saber. Isto pode ser aplicado em inúmeras circunstâncias que vão desde a alimentação ao aquecimento global, passando pela sexualidade.
Mas no que neste momento estou a pensar é nas escolas portuguesas, infectadas que estão por professores que se aproveitam das ciências da educação e das suas verdades científicas para imporem a sua nefasta ideologia, em nome de um saber acima de quaisquer suspeitas. Os cemitérios estão cheios de cientistas que, hoje, morreriam logo de vergonha ao descobrirem os seus científicos disparates.

1 comentário:

estela disse...

vivemos assentes em pressupostos científicos, como veneza em estacas de madeira.

claro que atinaram com algumas coisas, mas a maioria baseia-se no nosso nível de compreensão, análise e visão do mundo - o que naturalmente NADA tem a ver com o mundo fora de nós, onde de facto parecem assentar as estacas ;)

aconteça o que acontecer, à posteriori tudo tinha razão de ser.

infelizmente, há coisas que a ciência de hoje podia usar para melhorar o mundo (medicamentos, sementes, clima). mas por causa do dinheiro não o faz.
de modos que o melhor seria até os cientistas mortos voltarem para pregarem uns bons sustos nos que ainda estão vivos.