07 janeiro, 2010

LOCUS ANTIQUUS

O abraço da penumbra chega
quando a porta
se lamenta na ferragem ociosa.
Por todas as salas
correm a esconder-se
risos antigos e secretas traições.
Deixam pegadas ingénuas
no pó do soalho,
encobrem-se no damasco puído
que vela as janelas cegas.

As casas esquecidas
têm uma alma de cinza,
volátil
entre os dedos do presente.

5 comentários:

de sousa disse...

muito bom!
parabéns pelo blog que vai já para a minha lista.

Alice N. disse...

Lindo!
Já tinha saudades da sua poesia.

José Ricardo Costa disse...

Caro de sousa, obrigado. Seja bem-vindo.
JR

jrd disse...

Faltará o ranger dos degraus e o sopro do vento entre as frestas. tudo mais está aqui neste belíssimo poema.
bfs

Ivone Costa disse...

O que nunca falta, caro jrd, é a sua gentileza.

Ivone