12 janeiro, 2010

LÉXICO

Passo às vezes
as palavras entre os dedos
como se em escrínio de ourives
delas avaliasse o quilate e o oriente.
Procuro a palavra inesperada,
a inquieta e a delicada,
a densa e a ambígua,
a necessária e a fútil,
a despojada e a fugidia,
a precisa e a preciosa,
a ácida e a aveludada.
Procuro a palavra sumptuosa.

Mas a palavra é uma palavra.
Sumptuosa é a tua pele
quando para ti se iluminam
os caminhos do meu corpo.

7 comentários:

estela disse...

ohohoh...
um léxico como uma carta topográfica :)
muito bonito.

Margarida disse...

...apetece 'roubar' tudo.
Tudo.

jrd disse...

A polpa das palavras, à flor do tacto.
Muito bom.

José Borges disse...

eu sei que e inveja é coisa feia, mas...

jl disse...

Belíssimo poema!

addiragram disse...

A palavra como um manto que toca e envolve.

Belo poema.

Margaridaa disse...

Junto-me aos invejosos para dizer que também gostava de escrever assim, eu que gosto tanto das palavras.

(Que me desculpem as duas Margaridas por eu me chamar também assim, já se vê, há muitas Margaridas na terra, mas todas únicas!)