08 janeiro, 2010

LAUDES

Lá fora
a luz não hesita
e tinge a branco e vermelho
as fachadas da cidade.
Aqui
cada objecto ainda usa
o véu mágico da noite:
o casaco forrado a seda lânguida,
o colar adormecido,
os sapatos que me esperam
como criado diligente
à saída do baile.
Quero demorar na mutação lenta das suas formas,
mas as garras imperiosas da manhã fria
vêm arrancar-me às promessas quentes
do teu corpo.

6 comentários:

Alice N. disse...

Maravilhoso.

jrd disse...

Muito bonito.
Só o calor de palavras tão belas pode enfrentar o frio da alba e percorrer o dia, até reencontrar a magia de uma nova noite.
bfs

Micha disse...

Mais uma belissima pintura Ivone! Daquelas entram sistema adentro, se ajeitam em uma parede perto do coracao e por la ficam. Bom fim de semana.

Reinaldo Amarante disse...

É imperioso que estes "murmúrios" saiam de trás deste relógio de ponteiros parados e permitam que o potenciómetro da visibilidade cheguem a mais pessoas. Eu sei que há segredos que preferíamos guardar egoísticamente para um grupo restrito. Mas este é bom demais.
Venham mais... (não digo "cinco", porque já te assumiste monárquica e a minha ignorância não me recorda nenhuma monarquia de esquerda...)

Alice N. disse...

Peço desculpa por me meter na conversa, mas estou de acordo com Reinaldo. Só gostava de ter uma sombra do talento poético da Ivone para exprimir o efeito que os seus poemas causam. Um bálsamo para a alma e os sentidos... Gostaria muito de poder assisitir ao lançamento de um livro da Ivone. Pode fazer o favor de pensar nisso e de nos avisar quando esse feliz acontecimento ocorrer?

Abraço,

Alice

Ivone Costa disse...

E os meus amigos podiam fazer o favor de ter juízo nessas cabecinhas e deixarem-se dessas magalomanias editorialistas?

Ivone