01 dezembro, 2009

A VARA DE VARA

Moisés e Aarão diante do Faraó - Mestre de Dinteville, 1537
Nada melhor do que os clássicos para entendermos bem o presente.
Milhares de portugueses não escondem a sua perplexidade perante a socialista e apoteótica ascensão de Armando Vara que, de bancário passa a banqueiro, não sem antes ter sido ministro, e que conseguiu a prodigiosa proeza de conseguir uma pós-graduação ainda antes da licenciatura na Universidade Independente.
Ninguém percebe mas eu percebo. Está tudo na Bíblia e deve-se ao famoso efeito sobrenatural que subjaz à ideia de vara.
No Êxodo, 4, durante uma conversa entre Moisés e o Senhor, este ordena ao primeiro que atire a sua vara para o chão, transformando-se de imediato numa cobra. De seguida, manda-o agarrar a cobra e, mal lhe pega, esta transforma-se de novo numa vara.
Ainda no Êxodo (7), perante o Faraó, e para o impressionar, Araão atira a vara para o chão, transformando-se numa serpente. O primeiro, não querendo ficar atrás, chamou os magos e estes, com os seus encantamentos, fizeram o mesmo. Só que, depois, a ex-vara de Araão devorou as outras ex-varas.
Foi ainda com a vara (Ex. 7) que Moisés transformou as águas do rio em sangue.
Last but not least (Números 17), a simples vara de madeira de Araão floriu e nela germinaram botões, desabrocharam flores e amadureceram amêndoas.
A mim, desgraçadamente, calhou chamar-me Costa. Fosse eu José Ricardo Vara e a minha sorte teria sido bem diferente.

6 comentários:

Anónimo disse...

Além de todos os argumentos biblicos, não podemos ignorar que uma vara armada é sem dúvida alguma muito mais eficaz, misticamente falando, que uma vara desarmada.

Ás tantas ainda convidam o fulano para protagonizar o próximo filme do Harry Potter.

Some guys have all the luck.

addiragram disse...

Há quem tenha Vara e há quem não tenha...e não digam que o destino não tem peso!

graça martins disse...

Segundo reza a história Moisés era gago, sendo o irmão que traduzia "a palavra do senhor", já que era Moisés que a ouvia.
Até hoje pensava que a vara era empunhada apenas por Moisés e não por Araão, no entanto, na pintura, é Moisés que segura na cobra/vara.

curioso.

seja como for, nem a vara original - sem artifícios, convenceu o faraó que preferiu o logro dos seus sacerdotes. Foi preciso uma lição maior.

Creio que é uma boa história para os tempos de hoje. Onde o artíficio, por mais absurdo e desmacarado que seja, é preferível ao esboço de uma verdade maior.

Quanto ao Armando Vara, deixa lá! Pode ser que prefigure as outras varas engolidas pela de Moisés, né?Até porque a de Moisés e Araão não era uma arma, era comunicante da sabedoria (cobra ou corcodilo), as dos sacerdotes eram arma, por necessidade.

E não te esqueças que foi na “costa” do deserto que o mar se dividiu ao meio e engoliu os exércitos do faraó. Cada um cumpre o seu papel:-) A vara também…conforme a mão que a segura.
abraços
mgm

graça martins disse...

Aarão e não Araão desculpa não sei se escrevi bem o nome, podes corrigir? obrigada.
bjs
g

José Ricardo Costa disse...

Arão, Aarão, Araão, enfim, qualquer coisa desde que acabe em "ão"...
Bj

JR

República dos Bananas disse...

falando de política, de políticos e de varas, eu conseguiria dizer muitas palavras acabas em "ão", em "upto", em "ado", etc....mas como não vale a pena e só serve para eu ficar mais azedo e mais descrente, fico caladinho.