10 dezembro, 2009

RITUAL

Para que fossem iguais
todos os dias,
colhi as imperceptíveis flores
de cada hora,
chamei a noite e o segredo,
dispus o poente sobre a tarde.
E foi Cronos quem chegou
e pelas escadas sôfregas
de olhos vendados ainda me arrasta.

6 comentários:

Alice N. disse...

E das flores um doce aroma se soltou e o brilho do dia Cronos desejou. Soltou-se a venda que outrora o devorou, devolveu aos dias e noites seus insondáveis e eternos segredos e assim agraciado Cronos se salvou.

(Estou hoje um pouco atrevida. Espero que mo perdoe. Efeitos de Cronos que o tento me levou.) :))

jl disse...

Gosto do poetar da Ivone...
(E se eu gosto... mioto mais há-de gostar Cronos!)

hg disse...

Às vezes é mesmo assim.

Reinaldo Amarante disse...

Não sei de a poesia tem sexo (as modernices agora dizem género... na volta é ao contrário).
Não sei se a Ivone leva a sério os seus murmúrios. Já lhe disse que gosto. Na altura não sabia porquê; mas à medida que vou lendo o que vai saindo, em pequenas doses, como um autêntico prato gourmet (e aqui não há nada de perjorativo, já que Camões ou Bocage também serviu a poesia em pratos...)evola deles um leve perfume feminino (duas gotas de Chanel como diria Marilyn...). Aqui não há enganos. Chamem-lhe murmúrios, poesia, arte poética, mas, podia ser Florbela, Natália ou Sophia, mas é Ivone. E digam-me se a poesia tem ou não sexo.

joao alfaro disse...

Adorei ler este pequeno (grande) poema que nos levita.

Ivone Costa disse...

Não há dúvida de que a amizade é uma coisa fabulosa!

Ivone