11 dezembro, 2009

MONÓLOGO DE ROMEU MONTECHIO

Há um frio de morte
na cripta dos Capuleto.
Sabeis o que é o frio,
não sabeis o que é a morte.
Não podereis saber
como é o frio
na cripta dos Capuleto.
É um frio de ossadas
sob as lajes antigas,
é um frio sem romãzeiras,
é um frio sem varandas.
O frio
na cripta dos Capuleto
só fala comigo.
Mas que posso eu dizer
do frio
na cripta dos Capuleto
se, dentro do corpete de brocado,
o peito de Julieta
ainda está quente?

2 comentários:

Alice N. disse...

Com versos destes, nunca saberemos da morte nem do frio.

Lindo, Ivone, lindo!!

Reinaldo Amarante disse...

Quo vadis Ivone?
De repente vi-me nos meus 16 aninhos,sentado numa qualquer laje de cemitério a delirar com os ultra-românticos que líamos no Liceu.
Mas o cotejo fica apenas no tema. Soares de Passos pode dormir descansado mais o seu "Noivado no Sepulcro", que este "Monólogo de Romeu Montechio", apesar de falar de morte, traz algo mais que nunca morrerá: o AMOR.
Até à próxima.