02 dezembro, 2009

CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO?



A expressão "ciências da educação" não passa de um oxímoro ainda que bem disfarçado. A educação não é uma ciência. Mais: educação e ciência são conceitos incompatíveis. A educação é uma arte. Um bom professor, para o ser, precisa apenas de estar bem preparado cientificamente, gostar do que ensina e saber comunicar com os alunos. Esta última é fundamental pois embora as duas primeiras sejam uma condição necessária, não são uma condição suficiente. E é precisamente graças a essa última que devemos associar a educação a uma arte. O professor deve ser, acima de tudo, um bom actor que dramatiza bem o seu papel diante de um público que não pagou bilhete para ali estar e que não quer ali estar.Tudo o resto são tretas.
Espero bem que esta praga das ciências da educação tenha os seus dias contados. Apesar de ser difícil, reconheço. Enquanto houver pessoas a ganhar dinheiro com a indústria e o comércio das ciências da educação, dificilmente veremos o seu fim. Nós, professores, devemos ser os primeiros a reagir para acabar com elas. Como? Com o nosso riso e desprezo.

4 comentários:

Margarida Graça disse...

Esse professor está a ser tragicamente assassinado por interesses económicos e pela cegueira do mundo. Esse professor não convém e não sei se a alternativa é professor... Esse professor nunca existiu, porque é um professor em devir... Esse professor ensina a ler e a pensar... Esse professor, como em outros tempos, continua a ser um inconveniente... Esse professor existe enquanto resistente...

Hoje, crescem os doutorados sem licenciatura!... Para quê professores?!...

disse...

Estou inteiramente de acordo - duas vezes, em dois dias, é obra! É um daqueles posts que gostaria de ter escrito, se fosse capaz de me exprimir com tanta clareza.
Ainda hoje, eu que nunca suspirava por reforma, nem sequer por férias, saí da escola a dizer: "Eu era um professor de Português com formação em Literatura e especialização em Linguística e agora sou um mero acompanhante de crianças malcriadas!"
Enfim, foi o que me ocorreu depois de dois tempos de Estudo Acompanhado em que acompanhei os alunos de 7º ano nas comemorações do dia de luta contra a sida (ordens superiores) e de uma "aula" de substituição, mandado pela funcionária para a Biblioteca acompanhar uma turma de 8º ano que estava a ver (isto é, deveria estar a ver) O Resgate do Soldado Ryan. Só visto, porque contado é inacreditável. Pior do que o estado a que o "ensino" chegou, só eu ter perdido por completo as ilusões e a esperança de que as coisas melhorem. Vivam as Ciências da Educação!
(Alguém me disse uma vez que nenhuma ciência leva atrás a palavra ciência; por ex., Matemática, Biologia, Linguística, mas não Ciências Matemáticas, etc. Terá razão?)

Alice N. disse...

Completamente de acordo. Conhecimento científico, paixão e arte - eis os alicerces de uma educação de qualidade. Há quem ache que depende de muitas grelhas e grelhados, mas isso é outro problema... De nada serve uma suposta "ciência" que só fica bem no papel (pensando bem, nem no papel). Eu gostaria de "emprestar" aos mui sábios do pedagogês e eduquês uns meninos parecidos aos que são descritos no comentário anterior. Depois poderíamos discutir teorias... Ai de mim se as seguisse!

Austeriana disse...

Duvido que esta «coisa» venha a desaparecer nos tempos mais próximos. Há muita gente a ganhar dinheiro à custa da «cientologia educacional» no ensino superior ligado à formação de professores e que faz parte dos quadros das universidades.
Depois, convém igualmente atentar no parâmetro da «relação pedagógica» na avaliação dos docentes que também parece estar aí para durar. Para mim, trata-se de um item obscuro,ou seja, de grande sacanice na avaliação dos professores, cujo significado me ultrapassa. O que é manter uma boa relação pedagógica com os estudantes?
Basta pensar, como mera hipótese académica, nos resultados que obterá dos seus alunos um professor bronco cheio de «relação pedagógica» e nos que serão conseguidos por um professor com conhecimentos e capacidade científicas mas sem a mínima pachorra para gente malcriada e calona.