06 dezembro, 2009

AS PESSOAS INFELIZES

Ninguém sabe onde cada um
guarda a chave da porta,
nem para onde abrem, ao acordar,
as janelas e os pesadelos.
Não decoram canções novas,
não vêem a dança do poente no espelho da tarde.

São desiguais, não repetem gestos,
não obedecem à luz.
Permanecem.

Peças multiformes
nas mãos de um deus volúvel.

5 comentários:

hg disse...

às vezes... é mesmo assim.

Alice N. disse...

Pior é quando já não há nem porta, nem chave, nem janela, nem pesadelos. Enquanto houver uma chave escondida, haverá esperança.

Lindo poema, Ivone. Como sempre, adorei.

Reinaldo Amarante disse...

Sabes bem que a poesia não é o meu forte; mas os teus "murmúrios" estão a aumentar de volume. Não sou grande crítico, mas posso dizer que gostei. Afirmativo?

estela disse...

sim, assim somos.

jl disse...

Por vezes gosto assim assim. Mas ÀS VEZES gosto sempre