21 novembro, 2009

MORANGOS COM AÇÚCAR

Robert Spaemann, numa obra chamada Felicidade e Benevolência-Ensaio sobre Ética, caracteriza a ética epicurista como sendo "uma espécie de solipsismo do momento presente". A lembrança do passado e a expectativa acerca do futuro não são experienciados como estados de verdade mas estados funcionais de prazer vinculados ao momento presente . O indivíduo fica, deste modo, preso ao seu presente, a uma espécie de eterno presente. A própria libertação epicurista do medo e da esperança, reforça esse solipsismo. Ora, se tal acontecer, descemos praticamente ao nível de consciência de um animal ou de um bebé, cuja existência se limita a uma exploração do prazer e fuga à dor, num eterno presente do qual nem sequer têm consciência.

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