14 novembro, 2009

HÃ?

Ontem, numa viagem ao longo da A23, passei três vezes por carros avariados à beira da estrada e com os respectivos ocupantes à espera de auxílio. Acontece que ontem foi Sexta-feira, 13. De certezinha absoluta que os desesperados ocupantes daquelas viaturas não resistiram a associar o seu problema rodoviário a esse facto. Sexta-feira, 13 foi, na verdade, um dia de azar para eles. Só que o facto de a sexta-feira, 13 ter sido um dia de azar não significa que se tenha azar porque é sexta-feira, 13.
A superstição é muito fácil de rebater. Quantos milhares de carros circularam ontem pelas estradas portuguesas sem quaisquer problemas? E quantos carros avariam sem ser numa sexta-feira, 13? Sei lá, numa quarta-feira, 12, numa segunda-feira, 25, num sábado, 8?
Vamos supor que os ocupantes daqueles três carros têm mesmo uma certa propensão para a superstição, para o sobrenatural. Assim sendo, depois de estarem parados numa auto-estrada com um carro avariado, com os incómodos e problemas que isso acarreta, será praticamente impossível explicar-lhes, racionalmente, que não foi por ser sexta-feira, 13 que tal aconteceu.
Ora, quando uma pessoa não religiosa pretende racionalmente explicar a uma outra religiosa que as suas crenças não têm qualquer fundamento, passa-se qualquer coisa de análogo.
Quem quer acreditar muito dificilmente conseguirá não acreditar. É, por isso, um diálogo de surdos. Não vale a pena.

5 comentários:

Anónimo disse...

Há quem ache que o diálogo a partir desse ponto se processa com recurso a meios bélicos.

E no fim, se houver fim, a opinião que prevalece, muitas vezes unânime, é que valeu a pena.

Se dedicarmos o tempo suficiente a reflectir sobre isto, a extinção do ser humano toma contornos de benção.

Praise the Lord!

jrd disse...

Eu hoje também andei na A23 (verdade) e só vi um carro avariado.
Conclusão óbvia: O sábado, 14 é melhor do que sexta-feira, 13, para andar na A23.
abraço

Alice N. disse...

Nem me fale em ficar parada na A23! Não foi numa sexta-feira 13, mas devido à incompetência de uma funcionária que não distinguia o Norte do Sul, este Verão, eu e o meu filho ficámos parados na A23, entre as 12h30 e as 15h00 (estava quentinho, como se pode calcular). Carro avariado, um calor de morrer, no meio da aridez da serra antes de chegar à Guarda, e eu à espera de uma assistência em viagem que nunca mais chegava. Eu que sou normalmente contida, simplesmente espumava, incapaz de estar quieta e muito menos calada. Fosse por causa do calor (trinta e muitos graus), fosse dos nervos, sentia a cabeça a arder e uma sede tremenda (a água esgotara-se há muito). O meu filho, impávido e sereno, ia lendo umas revistas e aconselhava-me a fazer o mesmo. Não fosse meu filho e acharia aquilo uma inadmissível provocação! Entretanto, dois simpáticos funcionários da Scutvias passaram por ali. Pensei que eram anjos. Deram-nos água e colocaram uns pinos para melhor demarcar a área. E, contentes com a sua boa acção, partiram dois ou três minutos depois, não sem antes me pedirem que respondesse a um questinário para avaliação... Tive vontade de os atirar pela serra abaixo! E a aventura continuou, mas não vale a pena entrar em pormenores...
Não sou nada supersticiosa, mas que ele há dias em que a gente não devia sair de casa...

Lebasiana disse...

tens toda a razão!

quantas vezes pergunto à minha avô:

- se eu amanhã te dissesse que estava grávida e que ainda estava virgem, mas que tinha sido o Espírito Santo que me veio visitar... TU ACREDITAVAS?

- NÃO!

pronto... e vem discussão! lol

jinhos

addiragram disse...

E a crença no negativo parece ser superior à crença no positivo,embora as duas sejam crenças....