19 novembro, 2009

DOMADORA DE TEMPESTADES

Aos 2 minutos e 20 segundos deste discurso, depois de o povo gritar "O Führer comanda, nós seguimos!" grita o inflamado ministro da Propaganda: "Daqui para a frente o nosso lema será: Ergue-te, povo e liberta a tempestade!"

Isaiah Berlin, num texto de 1972, The Bent Twig - On the Rise of Nationalism, estabelece uma relação entre o romantismo alemão (Movimento que ficou conhecido por Sturm und Drang, ou seja, Tempestade e Ímpeto) e o nacionalismo exacerbado. Aliás, Isaiah Berlin lembra, em diversas ocasiões, que as ideias ao serem lançadas no mundo ganham uma vida própria, fugindo ao controle do seu criador que, muitas vezes, tinha com elas a melhor das intenções, acabando depois por estarem na origem de movimentos que representam precisamente o seu oposto. Aconteceu, por exemplo, com Kant. Ou, ainda mais gritante, com o polido, iluminado e empirically-minded David Hume.

Em suma, com as ideias não se brinca. Sendo assim, temos aqui uma interessante tarefa para a filosofia: domadora de tempestades. E qual a melhor maneira de domar tempestades? Domando as próprias ideias. Há um nome para isso: cepticismo.

2 comentários:

Jorge Mesquita disse...

Domar ideias é transformar as ideias num circo de castrados mentais. Discuti-las, combatê-las, refutá-las, recusá-las, é iluminá-las sem cepticismo. No saber filtrá-las é que se encontra a placa giratória das ideias positivas. Restam-me as perguntas: Quem seria o domador ou os domadores? Quem lhes daria o poder para tal? Qual seria o resultado de tal domínio?

Oeiras, 20/11/2009 - Jorge Brasil Mesquita
www.comboiodotempo.blogspot.com

José Ricardo Costa disse...

Caro Jorge Mesquita,

Domar ideias não significa castrá-las. Mas, ainda assim, prefiro castrar certas ideias do que ser castrado por elas. Tem toda a razão relativamente ao criticar, combater, refutar e recusar, excepto num pequeno e irrelevante pormenor: a isso, chama-se cepticismo.

JR