19 novembro, 2009

DIA MUNDIAL DA FILOSOFIA


Rembrandt, Filósofo
Comemora-se hoje o dia mundial da Filosofia.
Sem querer, lembrei-me de uma conversa com o meu filho mais novo, teria 5 ou 6 anos, em que eu lhe explicava para que serviam os castelos. Pergunta-me então ele por que razão não os desmontam se nos nossos dias já não servem para nada.
A pergunta dele é a pergunta que farão algumas pessoas acerca da legitimidade da filosofia, após perceberem que não serve para construir pontes e casas, fazer previsões meteorológicas, conservar os alimentos ou curar doenças. Sim, para que serve a Filosofia?
No fundo, até são bem capazes de ter razão. De facto, objectivamente, a Filosofia não serve para nada. Mas se calhar o problema até nem está na Filosofia mas mais nas pessoas que perguntam para que serve a Filosofia. Tivessem elas nascido formigas, moscas, berbigões ou até mesmo animais mais inteligentes como cães, gatos, cavalos ou macacos e nem chegariam sequer a perguntar para que serve a Filosofia ou a ter consciência da sua inutilidade.

8 comentários:

Margarida Graça disse...

Um diálogo bem à maneira do Principezinho e que põe a nu apenas "uma dor que anda por aí...", até ver...

Anónimo disse...

Faz hoje um ano que te vi desejar a uma colega -" Parabéns pelo dia da Filosofia..."

Hé!hé?......
(a utilizar apenas na categoria das piadas privadas)

marteodora disse...

Este post fez-me lembrar de um episódio curioso que me aconteceu. Hoje, reencontrei e conversei com um professor de filosofia com o qual já não falava há uns 10 anos(não foi meu professor, mas leccionava na escola onde frequentei o secundário e cheguei a assistor a aulas dele - portanto, foi meu professor e pronto).
Como é usual nestas circuntâncias perguntamo-nos mutuamente: então, o que é feito de si? Blá,blá,blá e ele respondeu: aposentei-me, mas continuo no activo e estou a terminar o doutoramento. E eu: ah, sim, em quê? E ele: em filosofia, que é a minha área. E eu: pois, claro, mas em quê, especificamente? E ele: ah, isso agora é muito dificil de explicar...blá,blá,blá! (lá explicou, mas é ainda mais dificil reproduzir).

Pergunto: terá ele olhado para mim e pensado: e agora, como é que eu explico a este berbigão a teoria subjacente ao meu doutoramento?
Ou terá pensado que eu era
uma mosca?

Alice N. disse...

Cá em casa, ultimamente, temos falado muito destas "inutilidades", graças ao meu filho, que está no 10.º ano e anda absolutamente fascinado com a Filosofia. Já me pôs a ler Platão e tudo, pois ele quis ler uns livros que o professor recomendou e passou-me o entusiasmo. Dia em que há aula de Filosofia, é dia de conversas animadas cá em casa. Ainda hoje fui presenteada com uma "lição" e umas leituras sobre livre-arbítrio, determinismo e indeterminismo (e ele não é nada do género de me fazer relatos pormenorizados das aulas, pois não tem paciência para tal). Depois de se sentir algo derrotado nas primeiras aulas, achei curioso quando, há dias, me disse que já não se sentia propriamente "burro"; apenas muitíssimo ignorante. O que direi eu... Abençoadas as "inutilidades" que nos permitem reconhecer a nossa pequenez e nos obrigam a superar-nos. Não corresse o risco de ser mal interpretada e eu agradeceria ao seu excelente Professor. Fica aqui a minha homenagem aos Filósofos, esses atrevidos que nos desassossegam e nos estimulam a (re)construir-nos e a repensarmos o mundo.

jrd disse...

Filosofando...

hg disse...

A filosofia serve para curar cegueiras.

hg disse...

Errata:" Pode curar as pessoas da cegueira."

addiragram disse...

E perguntar é já um fantástico "acréscimo". As perguntas ficam sempre pelo ar...