24 outubro, 2009

SHAKESPEARE NA INSPECÇÃO PERIÓDICA

Vale a pena ouvir esta curta intervenção de Michael Walzer sobre o bem comum. Ele pede, com um ar sonhador, para imaginarmos uma sociedade onde as peças de Shakespeare seriam o entretenimento normal das pessoas comuns ou em que as questões eruditas seriam os assuntos de toda a gente.
Eu já tinha pensado nisso mas logo perdi as ilusões quando há tempos fui com o carro à inspecção. Uma sociedade assim seria um pesadelo para muitos.
Observando as pessoas que lá trabalhavam, pus-me a imaginar como encarariam o seu trabalho se devorassem Shakespeare ou os românticos alemães, se tratassem Proust por tu ou se gostassem de passar horas a estudar o Barroco ou arqueologia. Rapidamente cheguei à conclusão de que aqueles homens são muito mais felizes por lerem o Record e por, ao fim do dia, terem dito mais vezes "foda-se" do que "evanescente" ou "narratologia".

1 comentário:

jrd disse...

É capaz de ter razão, mas eu, ainda assim, preferiria o "Operário que lê" de Brecht.

Respira-se muito bem neste blogue.
Cumprimentos