22 outubro, 2009

A NOVA MINISTRA DA CULTURA

Kierkegaard fez uma célebre distinção entre o estádio estético e o estádio político. Só mesmo um Sócrates conseguiria subverter este princípio, confundindo o político e o estético. Ainda tenho esperança de ver a Maria Carrilho na Defesa, a Bárbara Guimarães nas Obras Públicas e a Paula Moura Pinheiro na Educação.

12 comentários:

Margarida disse...

... precisava voltar à escola.
Ou a escola devia regressar para mim.
A disciplina da aprendizagem requer um lente.
O estímulo verbal, o som (sem fúria); o mistério.
A passagem do que um sabe e o outro precisa.
Às vezes, desesperadamente.
O desperdício esparramado de vontades nas carteiras das escolas por aí; pelo mundo inteiro...
Que vontade irreprimível de ser pequenina outra vez.
De ter 'deveres' e sebentas, e lápis Viarco e pastas Ambar e uma lousa de Valongo.
Eu nunca aprendi latim ou soube algo palpável de filosofia.
Voei pelos degraus escolares para obter certificação que permitisse sobreviver, lutar por um trabalho (no tempo em que isso assim sucedia).
Há coisas - teses, pensamentos, ensaios - que reclamam uma voz.
Como se esta tivesse mãos e fosse virando as folhas e apontando as imagens (sou do tempo do papel e da tinta permanente, e gosto).
Há ideias que necessitam ser debatidas, contrariadas, descobertas.
São necessárias luzes, gnoses, maravilhas interiores que voam e cintilam como pirilampos.
Um tutor, um guia, uma mestra, uma preceptora.
Isso - olhar pelas janelas dos seus olhos e aprender, era ser feliz.

Margarida Graça disse...

Este ano não foi o comércio a inaugurar a decoração de Natal.

JCM disse...

A Maria Carrilho não estaria mal na defesa, pois é a área dela. Talvez não soubesse andar com ar marcial, mas se desfilasse, mesmo agora, tipo modelo, nem tudo estaria perdido.

Seja como for, temos uma "colega" na educação. Depois de Cardia, chega uma nova licenciada em Filosofia à cadeira ministerial. Mas acho que vem pela via de Boston e não da Filosofia. Há que esperar o pior.

jose albergaria disse...

Meu caro,
Desde quando, num blog cultor da beleza, a que se cola a uma mulher é uma menos valia?
Para se ser Ministra é condição não se ser bonita?
Este seu post espantou-me.
Percebe-se que não fez os trabalhos de casa.
Não lhe passa pela cabeça quem seja esta senhora.
Quais as suas competências criticas?
Lembra-se daquele escândalo na Orquestra Metropolitana de Lisboa, com o Maestro Graça Moura, que "sacou" muitos Euros para a sua, dele, conta bancária? Pois - foi esta senhora Canavilhas, entre 2003 e 2008, que colocou na ordem a dita e sem desafinar.
Os novos ministros, todos eles, são como os melões: antes de começarem a ministrar, não sabemos se são bons ou maus.
Agora, pegar na beleza da senhora, e diminui-la, não lembraria a um careca.
E os comentários adjacentes!
A Maria Carilho na Defesa, por que era muito bonita! Era-o, de facto, mas fez uma tese de doutoramento sobre os militares na politica, como Medeiros Ferreira, que é um homem feio, escreveu inúmeros ensaios sobre os militares na politica!
É o que dá, misturar beleza e politca.
Cada uma delas corre em pista própria, não se confundem, nem se misturam.
O crime da ansiedade, em análise politica, prega-nos destas partidas.
Quanto à Isabel Alçada, por vir das filosofias!
Então, a escritora de sucesso, não conta! Editada pela Caminho, "controlada" pelo PC durante anos e com mais vendas quie o Saramago, também não conta? A que dinamizou o Programa Nacional de Leitura, também não conta?
Espere para ver o trabalho que a ex-Secretária da Cultura no Governo regional dos Açores fará no Governo de Portugal.
Depois, então poderemos falar.
Abraço,
J.A.
NB-A propósito, a Dr.ª Canavilhas tem um curriculum académico e institucional impressivo...
Neste comentário, um pouco desordenado, misturei alguns remoques aos comentário, que aqui já estavam.

José Ricardo Costa disse...

Ó meu caro amigo,
então eu não sei bem quem é Gabriela Canavilhas e que é uma mulher cheia de qualidades? Claro que gostei da escolha independentemente da sua beleza.
Então e não sei bem da relação de Maria Carrilho com as questões de defesa?
Mas, caramba, já não se pode brincar um bocadinho ou expandir um pouco o entusiasmo por ver uma mulher bonita no governo?
Eu vejo-me a mim mesmo como uma pessoa civilizada. Mas também sou ribatejano e não consigo fugir de vez em quando a um certo marialvismo tauromáquico inscrito no meu código genético.
Abraço,
JR
P.S. Quanto à nova ministra da Educação estou profundo céptico. Não por não ser bonita, se bem que depois do pesadelo recente qualquer mulher pareça bonita. Mas porque vem de Boston e deu sempre o seu apoio à miserável e abjecta política educativa do engenheiro e da sua gargúlica lacaia.

Margarida Graça disse...

Bela ou não, depois de uma mulher que difunde rancor e acicata a população contra os professores, todas as caras qque vierem pela mão de Sócrates são mel para adocicar as bocas.

Todos os planos nacionais estão assentes em formatações que se pretendem universais: Plano Nacional de Leitura, Plano Tecnológico, etc... e agora um plano para a Educxação Sexual. Sobre leitura o melhor plano é dinamizado pelos autores de best sellers e pelas cadeias de hipermercados e ainda assim...

jose albergaria disse...

Apanhou-me, seu marialva de uma figa!
Abraço,
J.A.

José Ricardo Costa disse...

Margarida Graça, está cheia de razão.
JR

marteodora disse...

"marialvismo tauromáquico"...eh,eh,eh...ainda me estou a rir...

Margarida Graça disse...

Hoje, no telejornal da RTP1, acabei de ouvir a frase, em horário nobre, em defesa do plano nacional de leitura, e claro, em defesa da Drª Isabel Alçada, que escreveu livros dos quais nunca consegui gostar e nunca consegui aproveitar para motivar:

“Hoje, na escola, a leitura orientada é uma realidade"

Ficaria indiferente, se não conhecesse os meandros do ensino há largos anos. O jornalista que fez esta afirmação nem sequer saberá o que quer dizer "leitura orientada" e "Plano Nacional de Leitura". O que é certo é que pode dizer o que lhe aprouver frente ao bibelot de eleição do povo e a larga maioria ouve a mesma coisa e conevence-se que assim é!!!

Vergonhoso!!!

A leitura orientada é a leitura que tem vigorado desde que nasceram as escolas. É a leitura que já se fazia nos mosteiros quando se procurava compreender o que diziam os outros sobre os textos canónicos. No tempo de D. Dinis já se faria a leitura orientada e que se designava de escolástica.

A leitura que tem faltado é a outra leitura, aquela que é um incentivo ao prazer de ler e ao desejo da leitura seguinte, aquela que me fazia esconder da minha mãe para não ter de fazer as tarefas domésticas, essa que o Plano Nacional de Leitura difunde nos meios de comunicação, enquanto bem social, mas que só os professores ensinam, ainda que só os que reconhecem o valor de ler!

C.M. disse...

Enfim, se não fossem Políticas do nosso inteiro agrado, sempre poderíamos repousar a vista no "acessório"...

Anónimo disse...

Pois há quem ache o Medeiros um homem bem interessante, mesmo escrevendo sobre a tropa!