05 outubro, 2009

5 DE OUTUBRO


"A acção foi feita. O seu último papel foi desempenhado. Depois, mandaram o autor despir-se e desmaquilhar-se: não vão precisar mais dele".

Estamos no Guerra e Paz e o alvo desta frase é Napoleão. Mas, no fundo, é uma frase que se aplica a todos os actores principais da história depois de o pano ter descido sobre o palco onde actuaram.
Foi também isso que pensaram os nossos republicanos a respeito tanto de D. Carlos como de D. Manuel II. Terminaram as suas actuações, aquela peça acabou. O problema é que, como dizia Oscar Wilde, a vida imita a arte. E, como sabemos, temos actores que, consoante as peças, tanto podem fazer de padre, como de vilão, tanto podem fazer de rei como de escravo. E actrizes que tanto podem ser exemplares dona de casa de uma comédia americana como uma fria espia russa de um filme de suspense.
No 1 de Fevereiro de 1908 ou no 5 de Outubro de 1910, alguns espectadores que quiseram passar a actores, consideraram que os seus antecessores já não teriam lugar nas novas peças, saltando então de rompante para cima do palco. Até poderiam ter razão. Mas, quase 100 anos depois, que actores tivemos nós que fossem um Humphrey Bogart, um Gregory Peck, uma Bette Davis, uma Bergman?
Os nossos republicamos não passaram de actores secundários ou de figurantes, mas com a mania de serem actores principais. Um pouco mais de humildade e cepticismo naquelas cabeças e talvez se tivessem evitado algumas desgraças.

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