10 setembro, 2009

TORRES NOVAS, 1970





Estas duas fotografias pertencem a um livro comemorativo dos 50 anos da antiga Escola Industrial de Torres Novas, actualmente, Escola Secundária Maria Lamas. São duas fotografias de 1970. Na primeira, temos uma viagem de finalistas a Toledo. Na segunda, uma peça de Tchekov representada pelos alunos no palco do ginásio.

Lembrei-me delas, agora que se inicia mais um ano lectivo. É sempre bom recordar a escola fascista. Uma escola em que se ensinava a ler, a escrever e a contar. A respeitar os superiores, neste caso, os professores. Uma escola que ensinava ainda a trabalhar quem queria trabalhar em oficinas ou no comércio.

Uma escola cujos alunos no fim do curso iam para Toledo em vez de se embebedarem em Lloret del Mar ou que representavam Tchekov no palco do ginásio, apesar das limitações e erros inerentes àquele tempo e regime, só pode mesmo dar uma lição à actual escola moderna e democrática.

5 comentários:

addiragram disse...

Certeiro!

JCM disse...

Note-se, ainda, que em 1970 ainda não havia secção liceal em Torres Novas, na então EITN. Portanto, são alunos dos cursos de Comércio, Electrecidade, Serralharia-Mecância e Formação Feminina (curso extraordinário). Quem representa Tchekhov ou vai a Toledo não são alunos do Camões. São alunos que não provêm das elites económicas e culturais da altura. A democracia conseguiu destruir aquilo que a escola portuguesa (professores e alunos dirigidos por professores) construiu, apesar da ditadura. Bem se pode limpar as mãos à parede. O que vale agora à pátria é a escola da sociológa e do engenheiro.

marteodora disse...

Já não será tão bom recordar os manuais escolares, as reguadas, a separação física entre sexos e a velha continua, à entrada da escola, verificando a altura das saias das raparigas!

Ah, e as velhas orelhas de burro também não me parece que fossem muito agradáveis...é óbvio que, se fosse hoje, muitos psicólogos e psiquiatras haveriam de lucrar o uso das mesmas.

José Ricardo Costa disse...

Margarida, por isso é que eu falo em "limitações e erros", alguns deles, não directamente gerados na escola mas fruto do tempo e da sociedade em geral. Mas também não exageremos. Por exemplo, não se poderia entrar na aula com as cuecas à mostra e, nesse sentido, lá estaria a velha contínua a controlar. Mas tu podes ir trabalhar com as cuecas à mostra? Ou um professor? Ou um funcionário bancário? Ou um engenheiro numa fábrica? Ou um juíz no tribunal. Talvez não parecesse mal a velha contínua voltar a verificar a altura das calças das raparigas e, já agora, dos rapazes.

JR

marteodora disse...

Tens razão, Zé.
Dentro do bom senso, os limites são necessários.
A Minha mãe tem muitas queixas da velha contínua, que não a deixava usar mini-saia na escola e, por isso, a minha observação.
Agora, concordo contigo no que toca à postura que é devida a professores e alunos ou a qualquer um de nós, em determinados sítios.