07 setembro, 2009

JOHNNY IS NOT DEAD



Vale a pena ler esta entrevista de Johnny Rotten, ex-vocalista dos míticos Sex Pistols.

Saliento dois aspectos.
O primeiro, quando ele diz que, mesmo no auge do punk, ficou farto dos clichés que estereotipavam os comportamentos dos jovens, submetendo-os a um modelo que teria de ser mecanicamente reproduzido. Se há coisa que os Sex Pistols representavam era o caos, a desordem, a anarquia, a anomia, uma certa irracionalidade urbana. Ora, as suas palavras sugerem a ideia de podermos encontrar uma racionalidade na própria desordem. Ou seja, a partir do momento em que a irracionalidade e o caos se transformam numa cultura, passa a existir uma lógica interna tão rígida e mecânica como noutro qualquer código social. E quem diz movimento punk diz também movimento hippie. Ou, se quisermos, num âmbito estritamente político e com pressupostos completamento diferentes, o movimento nazi, onde também podemos encontrar uma racionalidade técnica associada a toda aquela irracional manifestação de uma Vontade cega e indómita.
Em segundo lugar, é com enorme espanto que vejo Johnny Rotten, repito, estamos a falar de Johnny Rotten e não de Neil Diamond ou Cliff Richard, queixar-se da juventude actual, muito agressiva e desbocada.
Os anos não perdoam. Não é só a ler e o Guerra e Paz que se aprende o sentido da vida e da história.

1 comentário:

jl disse...

Mr De La Palisse diria: somos todos jovens da mesma maneira e velhos com os mesmos tiques.