30 setembro, 2009

GUERRA E PAZ - LXVIII

"Na barraca da sua prisão, Pierre ficou ciente, não só com a inteligência mas com todo o seu ser, com a sua vida, de que o homem foi criado para a felicidade, que a felicidade residia no próprio homem, na satisfação das necessidades humanas naturais, e que toda a desgraça não provinha da carência mas do excesso; mas agora, nas três últimas semanas de marcha, ficou ciente de mais uma nova verdade consoladora: no mundo nada havia de assustador. Ficou a saber que, do mesmo modo que não existia uma situação em que o homem fosse totalmente feliz e livre, também não existia para o homem uma situação de infelicidade absoluta e de privação total da liberdade."
Pierre, apesar da idade avançada, entrou finalmente na adolescência. Desidealizou a vida tal como os adolescentes fazem em relação aos pais. A vida é o que é, faça chuva ou faça sol. E os ídolos têm todos pés de barro. Aprendeu então a olhar para onde deveria ter sempre olhado: para os lírios do campo. Há quem nunca chegue a olhar.

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