06 setembro, 2009

GUERRA E PAZ- LVIII




"O príncipe Andrei suspirou de alívio, sorriu e estendeu-lhe a mão.
- É a menina? - disse ele. - Que bom!
Natacha, num movimento rápido mas cuidadoso, aproximou-se dele de joelhos e, pegando-lhe devagarinho na mão, inclinou o· rosto para ela e pôs-se a beijá-la, aflorando-a levemente com os lábios.
- Perdoe-me! - disse num sussurro, levantando a cabeça e olhando para ele. - Perdoe-me!
-Amo-a - disse o príncipe Andrei.
-Perdoe ...
- Perdoo o quê? - perguntou o príncipe Andrei.
- Perdoe-me o que eu ... fiz - disse Natacha numa voz quase indistinta, titubeante; e pôs-se a beijar mais a mão dele, quase sem lhe tocar com os lábios.
- Amo-te mais e melhor do que antes - disse o príncipe Andrei, levantando o rosto de Natacha com a mão de maneira a poder olhar-lhe para os olhos."

Eu explico.
Em tempos, Natacha esteve noiva do príncipe Andrei. Entretanto, apaixona-se por outro homem e o noivado vai por água abaixo. O princípe Andrei, claro, fica bastante ferido e passa a desprezar Natacha.
Este diálogo ocorre durante a fuga de Moscovo durante a qual, por coincidência, Andrei, ferido de morte, fica entregue aos Rostov, a família de Natacha.
O que eu apenas quero dizer é que se todos os homens traídos tivessem a reacção do príncipe neste reencontro com Natacha, páginas e páginas do Correio da Manhã, do 24 Horas ou do Crime teriam certamente menos notícias trágicas para dar.

Sem comentários: