29 setembro, 2009

ASFIXIA DEMOCRÁTICA

Estive há pouco a almoçar com o meu filho. Para animar a conversa lembrei que iremos ter um fim-de-semana prolongado. Ele pergunta por que razão há um feriado. Eu respondi que tinha a ver com o fim da monarquia e a implantação da república. Perguntou se isso não era em Abril. Eu disse que em Abril era outra coisa, foi o início da democracia depois de 48 anos de fascismo. E rematou: "Ah, sim! Aquela coisa em que havia uns que mandavam".
E, de repente, fez-se luz na minha cabeça. Quando ensino lógica aos meus alunos costumo dizer que todos os homens são animais mas nem todos os animais são homens. Mas, neste caso, o raciocínio do meu filho levou-me a pensar no seguinte: para este pessoal de agora não é só o fascimo que implica mandar. A ideia de haver pessoas que mandam sugere igualmente a ideia de fascismo.
Agora entendo por que razão há tantos alunos que não obedecem aos pais e às ordens do professor na sala de aula. Deve-se tratar de uma reacção revolucionária perante o clima de asfixia democrática em que vivem oprimidos.

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