13 setembro, 2009

ANDY WARHOL





Foram roubados 11 quadros de Andy Warhol de uma colecção privada. Um retrato de Muhammad Ali, outro de O. J. Simpson, entre outros daqueles famosos retratos que o homem pintou.

Quando soube da notícia, reagi com a mesma naturalidade com que reajo perante um empate entre o Leixões e o Rio Ave. Já quando roubaram O Grito, senti que eu próprio tinha sido roubado. Como se o quadro fosse meu. E o mesmo aconteceria se roubassem as Meninas, El Pelele, ou O Baloiço. Não são meus, juridicamente, mas são meus simbólica e moralmente.

Tudo o que Warhol fez podia ser queimado. Era coisa que não me aquecia nem arrefecia. Aqui há uns anos fui a Serralves ver a exposição dele. Ia, juro, com a esperança de que "agora é que vai ser", de que, finalmente, iria fazer as pazes com ele. Falso alarme. Vim de lá tal como fui. Com uma enorme sensação de tédio, tempo perdido e de ter sido enganado.

Warhol é quem é porque viveu no sítio certo, no momento certo. Foi apenas um produto de marketing muito bem vendido que, noutro país, seria olhado com desprezo e indiferença. Que os quadros façam muito bom proveito aos ladrões.

4 comentários:

Alice N. disse...

Não sou especialmente admiradora de Andy Warhol, embora aprecie uma ou outra obra sua. Vi a importante exposição que esteve este ano no Grand Palais, em Paris, e, apesar da opinião que tenho sobre o "papa da Pop Art", fiquei bastante impressionada com a representação de uma cadeira eléctrica, uns retratos gigantes de Mao e um outro de Lenine todo a preto e vermelho. Os outros quadros deixavam-se ver, mas, excepto honrosas excepções, o que ressalta de todas aquelas cores e lantejoulas é de uma tremenda superficialidade (refiro-me aos retratos, já que conheço mal outras obras). Resumindo, parece-me que Andy Warhol está para a pintura como a McDonald´s para a gastronomia - Warhol serviu-nos uma pintura plastificada, de fabrico industrial, para consumo rápido. Mas haverá melhor para compreender a essência dessa sociedade frívola e superficial que ele quis representar, da qual ele próprio era fruto e da qual se alimentou? (Curiosamente, Warhol chamou ao seu estúdio "the factory".)

Este, claro, é apenas o meu ponto de vista e sei que outros também depreciam obras que considero geniais. É por essa razão que não fiquei indiferente à notícia do roubo dos quadros de Warhol e ficaria bastante chocada se qualquer uma das suas obras ardesse ou desaparecesse. Com todo o respeito pela sua opinião, creio que devemos pensar nos que admiram Andy Warhol e no que eles sentiriam se tal sucedesse. Provavelmente, teriam a mesma reacção que tivemos aquando do roubo d´ O Grito e de Madonna de Munch (por sinal, duas verdadeiras maravilhas, que, porém, outros menosprezam). Assim, julgo que o melhor é que haja espaço para todos, até para os que consideramos menores.

José Ricardo Costa disse...

Cara Alice, o ser racional, civilizado, sensato, moral, que há em mim dá-lhe toda a razão do mundo. Admito que se tratou de uma reacção puramente egoísta da minha parte. De facto, pensando agora em todos aqueles que valorizam o seu trabalho, não me ficará bem continuar a pensar do mesmo modo. Reformulo, pois, o teor do meu post: lamento o roubo apesar de, pessoalmente, me ser indiferente.

JR

Alice N. disse...

Caro José Ricardo,

A sua resposta ao meu comentário só veio reforçar a grande admiração que tenho pelo autor deste blogue - não por ter concordado com os meus argumentos, mas pelo que diz a seguir. Se me é permitida a expressão: "É de se tirar o chapéu!"

José Ricardo Costa disse...

Ó Alice, ser humilde, tal como saber perder, são das melhores coisas para o stress. A sério. Aquele que sabe perder e reconhecer as suas limitações também não está obstinado com as vitórias e a perfeição. Assim sendo, descontrai-se muito mais.

JR