30 agosto, 2009

GUERRA E PAZ - LIII


"Aquele rosto pálido, fino, triste, aquele olhar luminoso, aqueles gestos serenos e graciosos, e sobretudo aquela tristeza profunda e terna em rodos os seus traços inquietavam-no e exigiam-lhe compaixão. Nos homens, Rostov detestava a expressão da vida sublime, espiritual (por isso não gostava do príncipe Andrei), chamava a essa coisa, com desprezo, filosofia, contemplação; mas, na princesa Mária, era precisamente essa expressão de tristeza que exercia nele uma atracção irresistível, porque lhe revelava o mundo espiritual, tão alheio a Nikolai."

É por estas e por outras que eu, quando em certos meios me perguntam qual a minha área e sou obrigado a responder que sou de filosofia, gostaria bem mais de poder dizer que era engenheiro mecânico, sargento pára-quedista, funcionário das finanças ou presidente de uma junta de freguesia.

1 comentário:

Ana Cristina Leonardo disse...

"desisti" da filosofia quando li esta frase de Borge: a metafísica é um ramo da literatura fantástica.