15 agosto, 2009

DIE GROSSE STILLE

Estive, há tempos, a acampar com os garotos. Perto da nossa tenda, estava um jovem casal numa pequena canadiana. Tinham trazido uma mesa exclusivamente destinada a uma televisão. Durante o pequeno-almoço e o jantar, comiam sempre em silêncio, sempre olhando para a televisão, sempre, fatalmente, sintonizada na TVI.
No dia em que se foram embora, enquanto levavam as coisas para o carro, este, de portas abertas, vomitava do rádio um som techno que se devia ouvir em grande parte do parque. Depois, lá partiram, tão jovens como quando vieram, sempre com o techno ensurdecedor, sempre, sempre em silêncio.

1 comentário:

Pedro Bastos disse...

Não é um mal geracional. É mal de toda uma fatia deste país, transversal em termos etários, que escolhe gastar o seu tempo nestes preceitos. Mais do que viver em silêncio, José Ricardo, quer-me parecer que o deixaram a um canto. Renunciaram ao silêncio. Libertaram-se dele, talvez pensem eles. Na verdade, pintaram com essa decisão as grades da sua própria jaula.