25 julho, 2009

A SARJETA DE SÓCRATES


A entrevista de hoje do ministro da cultura no PÚBLICO, levou-me de novo a pensar nas declarações do engenheiro Sócrates, há tempos, quando lhe perguntaram em que áreas da governação teria possivelmente falhado.

O engenheiro, claro, como é seu timbre, depois de ter dado a entender que, para além da sua excelsa pessoa, era o político mais excepcional dado à luz pela humanidade desde Péricles, lá reconheceu que poderia ter feito melhor na área da cultura.

Ora, esta resposta, sem ele disso ter tido consciência, é profundamente perversa. Porquê? Ele sabia que teria de dar uma resposta que não comprometesse o que tem valor e é, de facto, importante. Ora, ao ter invocado o seu "esquecimento" da cultura, acabou por reconhecer, implicitamente, que a cultura não tem mesmo qualquer importância. É como se perguntassem a um narcisista se tem algum defeito e este, depois de muito pensar, dissesse que tem uma unha ligeiramente torta num dos dedos do pé esquerdo.
Facto que, conhecendo eu o que conheço do engenheiro, não me surpreende. Cultura, para ele, só se for ler umas coisas na wikipédia para depois ejacular umas citações perante pessoas tão ignorantes quanto ele.

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