17 julho, 2009

RAMO DE HORTELÃ

Corri hoje Torres Novas inteira em busca de um ramo de hortelã. Modelo, nada. Intermarché, nada, Lidl, nada, Aldi, nada, Continente, nada. Desperado, ainda pensei ir a um qualquer quintal nas traseiras de uma qualquer casa para roubar um ramo de hortelã. Mas depois pensei na vergonha que seria vir num jornal regional: "Professor de Filosofia apanhado a roubar ramo de hortelã" e rapidamente tirei essa ideia da cabeça. Viria a ser numa mercearia que finalmente encontraria o meu tão desejado ramo de hortelã, da qual saí com ele na mão, como se fosse um troféu, e certamente com o ar mais triunfante deste mundo.
Eu acho que uma sociedade cujos centros de consumo possuem prateleiras e mais prateleiras a abarrotar de coca-colas, cereais, enlatados, comida pré-preparada, bolachas, etc, mas que não têm para oferecer um pobre e miserável ramo de hortelã, só pode mesmo ser uma sociedade doente.

10 comentários:

Anónimo disse...

Zé! No quintal de minha mãe, é lá que deves ir na próxima oportunidade para poderes temperar o borrego...

José Ricardo Costa disse...

Ok, está combinado! A tua compaixão deve ser mesmo sincera depois de teres visto o meu ar alienado à porta do Lidl.

JR

Fred disse...

No Modelo não conseguiu encontrar a hortelã. É assim, venderem as coisas mais básicas não vendem.

Um abraço.

José Ricardo Costa disse...

Caro Fred,no Modelo ainda eu vinha com alguma paz de espírito, pois foi o primeiro sítio e, nessa altura, ainda depositava alguma fé na humanidade.

Abr,

JR

JCM disse...

Pois, um raminho de hortelã... Mas a hortelã é já um bem sofisticado. Já me aconteceu o mesmo com ovos. Sim, com ovos... Todos os hipermercados da cidade e de ovos, nada...

E uma coisa bem grave se passa com os vinhos rosés. Depois da explosão há dois anos, agora a oferta em Torres Novas é diminuta. Muitas vezes resume-se a umas coisas adocicadas e imbebíveis ou então a vinhos desmesuradamente caros para a qualidade... A grande distribuição distribui pouco. Mas essa é a sua natureza. Nunca foram lá muito adeptos da justiça distributiva.

Fred disse...

Ainda ia a sair e a pensar que no próximo supermercado é que era. Foi uma tarde de compras.

Abraço.

Anónimo disse...

Meu caro Zé Ricardo,
Quando precisar, pode entrar pelo meu jardim a dentro e apanhar a hortelã que desejar. Está bem no fundo, perto dos cedros que mais parecem soldadinhos em parada. Tenho de duas espécies: uma para o cordeiro no forno e outra para fazer chá. É só escolher.
Um abraço,
Victor
P.S. -- Leio todos os dias o seu blog. É mais que óptimo. Parabéns.

José Ricardo Costa disse...

Caro Vítor, espero bem que não seja o Vítor que vive no Canadá. Se for o caso, temo que a hortelã murche antes de chegar ao borrrego.

Se, como espero, morar mais perto, poderá dar-me a referência pelo E-mail. Juro que só trago um ramo de cada vez. E aproveito um para o chá.
Abraço e obrigado,

JR

JR

Anónimo disse...

Sim, é o Victor do Canadá. Prometo que, na próxima passagem por Torres Novas, lhe levarei um pacote de hortelã seca à lareira. Será o que, em inglês, chamam "a token of appreciation" pelo imenso prazer que me dá a leitura do seu blog.
Mais outro abraço,
Victor Pereira da Rosa

José Ricardo Costa disse...

Está combinado. Mas só na condição de usarmos o ramo de hortelã num belo arroz de borrego regado com um bom tinto.
Cá fico à espera!

Abraço,

JR