30 julho, 2009

MULHERZINHAS?

Hans Baldung, Eva

O título desta notícia é muito interessante: "Bragaparques-Carmona, Fontão e Eduarda Napoleão sabem hoje se vão a julgamento". Refiro-me, concretamente, aos nomes: dois homens e uma mulher. Os homens surgem apenas identificados através do apelido enquanto a mulher, por sua vez, já é identificada pelo nome próprio.

Comecei então a pensar no assunto e através de um exercício meramente empírico fui obrigado a concluir que é mesmo assim. Eu falo em Sócrates, Guterres, Cavaco, Louçã, Soares, Alegre, Freitas, Santana ou Constâncio. Toda a gente percebe de quem estou a falar. Mas se eu disser Leite, Caeiro, Pinto, Apolónia, Rodrigues ou Ferreira, a coisa soa muito estranha. Estes nomes pedem, reclamam, exigem, um nome próprio. Então, se eu disser Manuela Ferreira Leite, Teresa Caeiro, Helena Pinto, Heloísa Apolónia, Maria de Lurdes Rodrigues, Elisa Ferreira, os nomes ganham um sentido completamente diferente.

Eu, que tenho tanta paciência para feministas como para melgas numa noite de Verão enquanto adormeço, sou obrigado a reconhecer que parece haver nisto uma certa desvalorização das mulheres. Uma pessoa que surge identificada apenas pelo apelido tem um peso institucional. Sócrates não precisa do José, nem Cavaco do Aníbal, pois, enquanto homens políticos, o seu lado institucional e "nacional", supera o lado pessoal e íntimo. Ora, tal não acontece com as mulheres. Continuamos a olhar para elas enquanto mulheres e, dessa forma, a valorizar o lado mais pessoal e íntimo: a mãe, a casa, os filhos, os netos, a padaria, a mercearia, a cabeleireira.
Mas também posso baralhar um pouco as cartas e perguntar: será isto uma desvalorização ou, bem pelo contrário, inconscientemente, uma valorização das senhoras políticas face aos homens políticos?

1 comentário:

Kamaroonis disse...

É verdade que sim, vivemos numa sociedade machista... Mas repare no título alternativo: "Carmona, Fontão e Napoleão sabem hoje se vão a julgamento"...

Napoleão!? :)