01 julho, 2009

A EX-ANARQUISTA MARIA DE LURDES RODRIGUES EXPLICADA POR ISAIAH BERLIN


"The idea of setting the clock back has always been a disaster. Take for example Bakunin. He wanted to abolish universities, because he tought that university graduates would be made too uppish by education, and he wanted total equality. He didn´t want people to look down on workers and peasents. So he thought of abolishing institutions which promote intellectual inequality (...) The idea of liquidating the corrupt society, and then purifying everything before going forward, is what in 1968 excited the students. They wanted first to eliminate all that was evil - destroy the old world - and then go forward. This is neither possible nor desirable. Utopia only ends in bitterness and frustration."
Ramin Jahanbegloo, Conversations with Isaiah Berlin, Halban, London, p. 106

Está aqui todo um programa. O que vemos hoje, cada vez mais, no sistema educativo? Uma quase igualdade entre alunos, independentemente de saberem ou não saberem, de estudarem ou não estudarem, de se esforçarem ou não esforçarem, de serem uns corrécios ou meninos de coro. Eu tenho tido alunos cujas notas, na minha disciplina, podem variar entre o 6 o 14 mas que noutras disciplinas variam entre 0 10 e o 13. Eis, pois, a utopia com que tantos sonharam, a quase igualdade, uma espécie de comunismo intelectual e cultural.

Depois, vemos cada vez mais universitários que mal sabem ler e escrever e em cujas universitárias aulas estão cada vez mais como se estivessem num café, bar ou discoteca, sítios onde passam a maior parte do seu tempo quando não se encontram a pastar pela universidade. De facto, mais uma conquista de anarquistas sonhadores como Bakunine: sem ser necessário eliminar a universidade com o objectivo de evitar desigualdades, conseguiu-se levar os doutores e engenheiros quase ao nível de um analfabeto e iletrado operário e camponês de outrora. E, conquista das conquistas, despejá-los no mercado de trabalho a ganhar quase tanto como um operário e camponês de outrora.

A sociologia, neste caso, a sociologia portuguesa, está a precisar do seu Gaston Bachelard. De psicanalizar o discurso científico desta gente para poder descobrir os monstros e fantasmas que vagueiam pelas suas dementes e ex-anarquistas cabeças.

1 comentário:

Margarida Graça disse...

Esse ar de ódio, de ira... e à frente dos destinos da Educação vai para 4 anos!... E agora os Srs. Directores e os nossos pares a enviarem-nos as directivas das reuniões e ultra-formações... Como se nada fosse, não sendo mais do que o cumprimento do programa desastroso dessa cara de ódio... Sem palavras... Mas o silêncio não resolve nada!...