07 junho, 2009

REVOLUCIÓN O MUERTE


Quando Manuela Ferreira Leite sugeriu a ideia de suspendermos temporariamente a democracia, chegou-se a pensar que estaria a perder o juízo.

Mas ao ter lido esta semana uma invocação dos 20 anos do massacre de Tiananmen, entendi finalmente a sua nobre proposta. Nós precisamos de uma ditadura como de pão para a boca.
A democracia está cansada, desmotivada, desiludida. Falo do próprio ideal de democracia. Andámos, desde os gregos, a tentar construir a democracia, morreram revolucionários, republicanos, anti-fascistas. Para quê? Para chegarmos a isto?

A uma democracia de directivas europeias sobre o tamanho das maçãs, os centímetros dos buracos das redes de pesca, os sítios onde se pode fumar? Deus do céu, 2500 anos de lutas, sacrifícios, teorias filosóficas, para isto? Muitos dos que lutaram adormecem hoje no sofá perante um televisor. Em vez de nos juntarmos em cine-clubes para ver filmes proibidos, vamos passear para centros comerciais. Porquê? Porque a democracia é uma chatice.

Vejam aqueles heróicos jovens chineses de Tiananmen. Porque fizeram eles aquilo? Porque lutavam contra uma ditadura. Fossem eles europeus e estariam em casa a jogar playstation ou no MSN. Tivesse Álvaro Cunhal agora 22 anos e alguma vez seria o herói de outros tempos? Também não foi o Churchill parlamentar que ficou na História. Foi o Churchill do ”sangue, suor e lágrimas”.

Só nos motivamos para grandes causas. Muito sinceramente, estou farto de democracia. Dantes, quando ouvia um taxista dizer que isto precisava era de três salazares, ficava indignado. Hoje, dou-lhe uma palmada nas costas e digo. ”Quais três salazares, isto só ia mesmo mas era com seis salazares”. Desejo, ardentemente, ser anti-fascista. Lutar, combater, conspirar, fugir, atirar pedras à polícia, escrever num jornal clandestino, ver filmes às escondidas, falar baixinho no café, ter os livros de Marx debaixo de um alçapão, dizer ”Morra o Sócrates, pim!” e ser preso logo a seguir.

Cá está, pois, a inteligente proposta de Manuela. Os partidos políticos podiam fazer um pacto de regime: clandestinivizavam-se voluntariamente. Ficava o PS a mandar e os outros seriam proibidos. Seria muito mais engraçado e estou certo de que os jovens, gostando de coisas radicais, iriam envolver-se muito mais. E voltaríamos a ver escrito nas paredes: revolución o muerte!
Lol!
Jornal Torrejano, 5 de Junho de 2009

3 comentários:

marteodora disse...

Entendes, então, na perfeição o sentido do meu post "Ainda querem que continue a acreditar nesta Democracia?"?

José Ricardo Costa disse...

A democracia pode não ser grande coisa. Mas o pior de tudo ainda são alguns democratas que fazem a democracia.

JR

addiragram disse...

Essa é que é essa! Mas todos amolecemos com as águas paradas e enquinadas. Só quando a situação social se extremar ainda mais, é que retomaremos a conspiração.Os grupos para reagirem precisam de encontrar um inimigo no exterior. Nessa altura esquecem os ataques internos, geralmente invejosos, e lutam contra Ele.