18 junho, 2009

MOMENTO BORGESIANO DO DIA


Quando, no ano passado, decidi passar férias em Inglaterra, tinha em mente todo um universo televisivo e cinematográfico. Por um lado, queria penetrar na Inglaterra rural. Tal devia-se sobretudo a uma série televisiva que eu gostava muito de ver em garoto: "Veterinário de Província". Que era também a Inglaterra do "Monte dos Vendavais". Mas queria também a Inglaterra aristocrática, a Inglaterra daqueles enormes palácios metidos no meios dos bosques e jardins a perder de vista. A Inglaterra de "Reviver o Passado em Brideshead" mas, sobretudo, de um filme que eu vira há muitos anos, com 16 ou 17 anos e cujos ambientes haveriam de me marcar profundamente no plano estético: "Barry Lyndon", de Stanley Kubrick.

Fiz a minha pesquisa e escolhi a zona das Cotswolds por achar que me poderia dar as duas coisas. E assim foi. Andei pela Inglaterra rural, no meio das ovelhas e caminhos de cabras com paisagens deslumbrantes a perder de vista, aldeias com casas de pedra cor de mel ao lado de regatos bordejados de flores. Mas fui também visitar o Blenheim Palace, que descobrira, entretanto, na Internet e em cujos jardins senti, finalmente, que só com isso já havia justificado a viagem a Ingleterra.

Acontece que, mais de 30 anos depois, estive ontem a ver o "Barry Lyndon". Entretanto, estou a ver o filme e, de repente, dou com uma imagem absolutamente familiar. Fui então pesquisar os sítios onde o filme tinha sido filmado. Um deles foi o Blenheim Palace.

Trinta e tal anos depois passei, sem ter disso consciência, uma tarde esplendorosa num sítio onde eu, com 16 ou 17, senti que gostaria de passar uma tarde e que me haveria de marcar esteticamente para o resto da vida.

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