15 junho, 2009

MARTIM


Ontem, enquanto lanchava numa esplanada de Torres Novas, numa mesa ao lado da minha, uma jovem mãe com ar de que acabou de chegar das sujas ruas londrinas dos romances de Dickens, passou o tempo a chamar o filho que por ali brincava: Martim... Martim... Martim... Coincidência das coincidências, soube hoje de uma mãe de 15 anos que está em greve de fome, revoltada com o facto de o seu filho Martim ir para a adopção.

Muito longe estava a aristocracia de imaginar que uma das consequências mais desagradáveis da Revolução Francesa viria a ser o facto de o povo só precisar de gastar 1 euro para comprar uma revista social graças à qual pode escolher mais facilmente os nomes dos filhos.

4 comentários:

marteodora disse...

Desagradável para a Aristocracia, é óbvio.
Aliás, é engraçado essa coisa de se relacionar nomes com camadas sociais, ou com a posição que os pais ocupam...
Hoje, uma Jéssica, uma Luana, um Rúben, e outros, são de imediato nomes associados ao mundo da telenovela.

Porém, essa associação pode não ter o mínimo fundamento. Eu própria, que nem tenho um nome muito usual, herdeio-o (ao nome)da minha avó paterna, que, tal como eu, se chamava Margarida Teodora.
Sei bem os traumas que isso me causou no jardim escola, onde toda agente teimava em chamar-me somente de Teodora...(nome lindo para uma criança :S)

Mas, tem graça, o meu bisavô materno, carpinteiro e agricultor, chamava-se Vicente. Ao ouvirmos este nome, tendemos a associá-lo ao tal mundo aristocrata, perfeitamente descontente com essas consequências da Revolução Francesa.
Na realidade, quando me recordo dele - do avô Vicente - lembro-me que tinha, de facto, um porte aristocrático. Era alto, louro e de olhos azuis.
Mas, JR, meu caro, que eu saiba, no tempo em que o meu bisavô nasceu ainda não se vendia a CARAS!
LOL!

José Ricardo Costa disse...

Margarida Teodora,

Mas tu tens um nome lindíssimo. Embora em criança, admito, ao lado das Anas, das Ritas e das Marianas, pudesse ser um pouco difícil. Mas foi um bom investimento a longo-prazo! Não queiras confundir Teodora com Jéssica, olha que se trata de uma analogia falaciosa.

Depois, por outro lado, e penso no Vicente, há nomes que são como certas comidas. Hoje, são caras e podes comê-las em bons restaurantes mas, no passado, era o povo que as comia, enquanto hoje do que o povo gosta é de ir ao MacDonald´s.

Vou avançar com uma sugestão genealógica: um avô alto, louro de olhos azuis? Bem, não terá andado, por volta de 1807 e picos, algum tenente francês a fazer alguns estragos por aí? Neste caso, passarias a ficar a "desdendente do tenente francês". LOL!

marteodora disse...

JR, tenho é pena que, geneticamente, o castanho seja dominante face ao azul...e, embora a minha mãe tenha olhos claros, nenhuma de nós (eu e a minha irmã) herdásse tal característica do meu bisavô.
Por outro lado, sei bem a quem saímos baixinhas: à minha bisavô - Narcísa - que era ainda mais pquenina do que eu!

Quanto ao tenente francês...parece-me um argumento interessante...ter uma mulher na família capaz de tal façanha!
LOL!

estela disse...

a minha filha mais velha chama-se de facto Luana, mas já tem 13 anos e vive longe de novelas. quando a primeira Luana da novela chegou a Portugal, já ela tinha 3 anos... e pode agradecer ao pai não se chamar cleópatra, que ainda hoje me agrada ;)

por sorte, ainda que com uma vida de jardim-escola tão traumática como a da Margarida Teodora, chamo-me Maria Estela. A minha mãe já nos anos 60 sonhava com nomes "aristocráticos" como Marichetela. cruzes-canhoto, ainda bem que o senhor do registo civil era republicano e pouco dado a modernices!!!!