11 junho, 2009

GUERRA E PAZ - XXXIV


Quando Pierre cumpre o ritual iniciático para integrar a maçonaria, o orador diz-lhe:

"A nossa ordem imita as sociedades antigas que revelavam as suas doutrinas por meio de hieróglifos. O hieróglifo é a denominação de algum objecto que esteja fora da percepção sensorial e que tenha características semelhantes à figura representada".

A linguagem simbólica, as metáforas, as alegorias, dão um enorme jeito quando se trata de transmitir ideias difíceis de uma forma acessível a todos. Mas a linguagem simbólica também pode servir para disfarçar a ausência de pensamentos. É o que se passa, por exemplo, com a religião. A linguagem teológica está cheia de misteriosos "hieróglifos" para os quais os crentes olham com um enorme espírito de veneração e mistério. Mas a profundidade dessa linguagem não é outra coisa senão o dom de disfarçar a vacuidade da própria linguagem.

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