06 junho, 2009

A FESTA

O El País divulgou as fotos da famosa festa de Berlusconi. Este, considera o facto uma agressão escandalosa" e uma "violação da intimidade dos convidados". Soa um pouco estranho a ideia do cavaliere poder ter razão mas, neste caso, tem mesmo razão.

A vida privada de um político é tão privada como a vida privada de um não-político. Uma coisa é o domínio do oikos, da casa, que deve ser invisível, outra coisa, o domínio da polis. Desde que, claro, essa vida privada não tenha qualquer relevância pública. Que até pode ter. Imaginemos um ministro da família, fazendo sempre a apologia da moral, dos bons costumes, descobrindo-se depois que, afinal, frequenta prostitutas. Uma fotografia sua num quarto de hotel com a prostituta pode ser publicada? Pode e deve, na medida em que se trata de um acto que, sendo privado, é politicamente relevante visto interferir directamente no modo como constrói a sua imagem pública. Eu, como católico, apostólico romano, eleitor que apoia este político por defender os meus valores e com ele me identificar politicamente, tenho o direito de saber quem é o verdadeiro homem por detrás do verdadeiro político.
Neste caso, porém, não se trata de algo relevante. Uma festa particular onde andam raparigas em topless é uma festa particular onde andam raparigas em topless. Ponto final. A única coisa que poderá ser aqui publicamente relevante é o facto de os convidados serem transportados nos aviões privados de Berlusconi com dinheiro do orçamento geral do estado. Fora isso, nada é relevante. Apenas puro voyeurismo.

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